10 de abril de 2014

As principais diferenças entre as creches em Londres e em São Paulo

Primeiro dia de aula

Não gosto muito desses textos que ficam detonando o Brasil e exaltando as qualidades de algum outro país desenvolvidásso, limpinho e cheiroso. Nosso país pode estar uma bagunça, mas cada lugar tem suas vantagens e desvantagens, é óbvio. Mas como estou morando em Londres e tenho um filho de 3 anos, não tem jeito: acabo comparando a escolinha dele aqui com as que conheciamos em São Paulo. Afinal, toda mãe/pai sabe: a escola dos nossos filhos acaba sendo uma parte importantíssima da nossa vida (e eterna fonte de preocupação e investimentos).

Então antes de tudo, preciso avisar que esse não é um post para dizer que as creches de Londres são melhores do que as brasileiras, mas para ressaltar algumas coisas que eu tenho achado bacana por aqui – e que poderia ser legal se as brasileiras começassem a adotar, na medida do possível. Então veja bem: essa é só a minha opinião, baseada na minha própria experiência. É claro que tanto São Paulo quanto Londres tem escolinhas de tudo quanto é jeito e deve ter outras bem diferentes ou parecidas com o que eu vou relatar aqui. De visitar, conheci umas 10 escolinhas em São Paulo, todas na zona Oeste. Eu gostava bastante da que o Luisinho estudava. Era uma escolinha de bairro, simples e com preço bem ok, que tinha um bom capital humano (professores bem atenciosos e carinhosos). E tivemos uma outra experiência bem ruim com uma outra escolinha bem perto de casa, em que ele ficou por 1 mês. Um dia cheguei lá um dia vi as crianças sentadinhas em cadeiras com cinto de segurança assistindo televisão (“é pra não cairem”, disse uma professora. aham). Tirei o Luisinho de lá na hora.

Sobre como eu escolhi a nossa escolinha em Londres

Quando eu e meu marido decidimos vir fazer mestrado em Londres, já comecei a pesquisar sobre escolinha para o nosso guri, que tem 3 anos. Procurando na internet e perguntando para amigas que já moravam aqui, descobri que o governo da Inglaterra faz um relatório chamado “Ofstead Report”, avaliando todas as escolas e dando notas de 1 a 4. Como ainda não sabia onde iria morar, pedi a ajuda do Google Maps e escolhi algumas que eram próximas à minha universidade. Mandei e-mails pedindo mais informações e preços. As melhores, classificadas como “outstanding”, eram geralmente caras e não tinham vagas. Escolhi então duas com a segunda melhor classificação, “good” e pedi para uma amiga que já morava em Londres visitar. Sei que parece loucura escolher a escola do meu filho assim à distância, mas eu não tinha muita opção, já que precisava garantir uma vaga e ter meu filho matriculado numa escolinha quando eu chegasse. Para decidir, confiei no tal report e na amiga (que foi uma fofa e fez um ótimo trabalho observando cada detalhe e me contando como eram as creches sem tomar partido. Me deixou bem livre para escolher). Agora, depois de 6 meses aqui, posso dizer que foi uma ótima escolha.

Sobre o quanto custa
O Luisinho vai pra escolinha meio período, 5 vezes por semana (dava pra escolher ir só 2, 3 dias também). O que me sai mais caro do que uma escolinha média em São Paulo, mas mais barato do que as mais caras de lá. Como não pago matrícula nem material (aqui eles não fazem essas extorsões) nem “curso de férias” durante 3 mêses no ano, acaba saindo o preço de uma escolinha particular média em São Paulo. Mesmo com a libra valendo quase R$ 4. Crianças que já tem 3 anos ainda ganham 15 horas semanais subsidiadas pelo governo daqui, então com o desconto a escola particular boa daqui acaba saindo pelo preço de uma particular simplinha em São Paulo.
(aliás, aqui eles também não pedem pra gente levar material pra fazer “lembrancinha de dia das mães” nem nada do tipo. O Luisinho vira e mexe volta da escola com mil pinturas, cartões, vasinhos de planta que ele plantou, biscoito que ele fez e por aí vai. Na creche do Brasil, já pediram pra mandar até sabonete, coisa que não dá pra entender. Sério que com a grana que eu pagava de mensalidade não dava pra eles comprarem um sabonetinho de R$ 1,00 pra professora transformar em lembrancinha?)

Playground na parte externa. (Foto: derwentlondon.com)

Sobre como é a escolinha
Quando chegamos, à pé (vamos de metrô e a estação fica a 5 minutos da escola), precisamos nos identificar em 2 interfones e abrir 2 portões. A escolinha fica dentro de um espaço público onde tem um pequeno parque que pode ser usado pela comunidade do bairro (mas só os pais e crianças cadastrados na prefeitura tem a senha do primeiro portão, que dá acesso ao parquinho). Aqui isso é bem comum, parece, e eu achei uma linda história de parceria público/privada. [Se você conhece o Plano Piloto, em Brasília, parece um pouco com as escolas-classe na Asa Sul, só que em Brasília lá as escolas são púbicas e os moradores do bairro não tem acesso ao parquinho.] Quando me identifico pela segunda vez e passo pelo segunda porta, a da escolinha em si, tem lá uma área com ganchinhos pra pendurar casacos com as fotos e nomes de cada criança e uma bacia com as fotos delas também pra deixar qualquer objeto que não deva entrar na escola (um brinquedo dela, uma balinha). Aliás, tudo o que é de cada criança tem uma foto dela, tirada e impressa pelas próprias professoras na escolinha (O que me fez pensar: qualquer escola tem computador e impressora. Máquina digital existe barata em qualquer lugar. Por quê diabos no Brasil ainda pedem pra gente levar não sei quantas fotos 3×4 da criança quando a gente faz a matrícula?).
Depois disso, entramos e eu deixo ele lá dentro. Nada de parar na porta e ter uma professora vindo buscar a criança, como acontecia com a nossa creche em São Paulo.
Lá dentro, o espaço é como uma sala ampla – deve ter uns 200m2 mais ou menos. E não há divisórias separando salas – a não ser para a cozinha, banheiros e salinha da coordenadora, que é daquelas com paredes de vidro. Crianças de 3 meses a 4 anos brincam juntas no mesmo espaço, o que eu achei muito bacana. Há um cercadinho para os bebês num canto, mas o Luisinho vira e mexe também brinca lá dentro. E cada canto da “grande sala” tem um tipo de brinquedos que forma um ambiente diferente: o da pintura, cozinha, peças de montar, instrumentos musicais, livrinhos etc. Há também vários quadros na parede com informações sobre o desenvolvimento das crianças – um desses quadros é pra ser completado pelos próprios pais toda semana com coisas que as crianças gostem de fazer em casa. Nas paredes, há sempre muitas fotos das próprias crianças fazendo atividades na escolinha (que os professores sempre podem mostrar: lembra daquele dia em que você plantou uma plantinha?).
Do lado de fora, além do parquinho, há uma área cercada da escolinha cheia de brinquedos e um mini-tanque de areia. As crianças passam bastante tempo lá fora, mesmo quando está frio, mesmo quando não tem sol. É só botar bastante casaquinho e vumbora! Aliás, outra coisa legal daqui é isso: as crianças não ficam muito tempo em ambiente fechado, enclausuradas, trocando víroses. Ao contrário do que acontece na maior parte das escolas em São Paulo…

Tá frio? Encapota e vai brincar!

Tá tudo liberado

E o que eu achei mais legal: as crianças ficam livres para brincar do que quiserem, a qualquer hora. É claro que os professores organizam atividades: uma hora vão ler livrinho, outra hora é pintura, depois tem roda de música e por aí vai. Mas nenhuma delas é obrigada a participar se não quiser, e tem toda liberdade pra ir montar blocos ou correr e pular em outro canto. Cada criança tem um professor responsável por ela, em quem ela presta mais atenção e com quem eu posso conversar se tiver alguma dúvida ou pedido (a do Luisinho é a Maria, uma portuguesa/Cabo Verdiana muito simpática). Mas na prática, no dia-a-dia, ficam todos juntos no mesmo ambiente fazendo cada hora atividades com um dos professores ou com todos juntos.
Menos na hora do almoço/lanche. Aí acontece uma transformação: as professoras pegam mesas e cadeiras num canto e montam o espaço do lanche, lá no meio da sala. Algumas crianças que se interessam ajudam a montar, e todos comem quietinhos em seu lugar. Coisa fofa!
Aliás, outra coisa linda: todas as crianças lá são responsáveis por guardar os brinquedos depois de usarem. Sempre que eu chego lá, o Luisinho depois de correr gritando “mummy! mummy!” e me dar um abraço, vai e guarda o brinquedo que tinha na mão no lugar certinho. Sem reclamar. E eles também não tem faxineira: são os próprios professores que se revezam na limpeza do ambiente. E as crianças observam e aprendem que arrumar e cuidar do espaço em que a gente vive é uma tarefa nossa, e não de alguém que vem atrás da gente mágicamente limpando a bangunça que a gente faz. E agora quase choro de emoção quando vejo meu filho de 3 anos levantar a bundinha do sofá e pegar um pano pra limpar alguma sujeira que ele fez na sala, tudo por iniciativa própria. Claro que isso não acontece o tempo todo, mas quando rola, é emocionante. (principalmente pra mim, que cresci com empregada em casa e só aprendi na marra a cuidar da casa e das minhas próprias coisas).

Bom, eu não acho que a escola seja mágica e nem a coisa mais importante pra uma criança. Pra entender o que vai influenciar a formação da criaturinha mesmo, é preciso levar em conta genética, a própria personalidade, o exemplo dos pais e, talvez o principal, a influência dos amigos. Enfim, são vários ingredientes que entram na receita desse ensopadão que somos nós. Mas pelo menos naquele quesito “escola” que tanto preocupa os pais, minha consciência está tranquila com a minha escolha aqui.

Ainda tenho várias coisas pra falar sobre a escolinha, mas como esse post já ficou gigante o bastante, vou deixar pra um próximo. =)

Ah! E se você conhece alguma escolinha em São Paulo que também é legal, ou que é muito mais legal que essa, e que não cobre um preço absurdo nem peça pra gente levar sabonete pra fazer lembrancinha de dia das mães, pelamordedeus me conte aí nos comentários! No fim do ano, estaremos de volta…

POR Gisela Blanco    |    
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25 de março de 2014

O que o Luisinho aprendeu em 6 meses em Londres

Já estamos em Londres há 6 meses. A essas alturas, uma pergunta que é natural e muita gente me faz é se o Luisinho já aprendeu inglês.
Não, não aprendeu. Mas as outras crianças da escolinha tão fluentes no português. Prontinhas pra Copa!

Brincadeiras à parte, aprendeu um tanto sim. Nada mágico como eu imaginava – várias pessoas me dizia que nessa idade eles aprendem línguas muito fácil e que em 2 meses ele ia sair falando até russo, se precisasse. Mas não foi bem assim. No começo, resistiu muito. Tinha muitas saudades do Brasil e se recusava a falar “essa língua esquisita que eu não entendo nada”. Além disso, uma das professoras da escolinha é portuguesa, então mesmo que ela fale inglês com ele na maior parte do tempo, deve ter dado uma ajudinha pra ele enrolar um pouco pra aprender. Agora, finalmente está começando a falar. Ainda fala pouco. Na maior parte das vezes, mistura as duas línguas – na hora de correr, grita: “vai, go!”, ou ouve e entende o inglês mas responde em português. O que é fofo, anyway. Bom, não vai dar pro moleque ficar fluente em inglês pra virar diplomata antes de entrar no primário. Mas como o que eu queria mesmo era que ele entendesse a língua somente pra ter alguma independência aqui e conseguir interagir bem com as outras crianças… mission accomplished!

Agora, tem outras coisas que ele já aprendeu muito bem nesse nosso tempo aqui. Lá vai uma listinha delas:

- Andar longas distâncias de patinete
- Andar longas distâncias a pé
- Andar longas distâncias de qualquer jeito
- Fingir que a perna dele tá doendo quando ele se cansa de andar essas longas distâncias
- Subir e descer escada do metrô sem reclamar
- Ser paciente com o metrô lotado e segurar na barra do pau de arara
- Esperar pacientemente o semáforo ficar verde
- Me ajudar a levar as compras pra dentro de casa
- Colocar roupa na máquina de lavar separando por cor (eu só fui aprender isso depois dos 18 anos)
- A não pedir todo brinquedo e todo doce que ele vê na rua (o que é beeem importante)
- Que papel toalha é ótimo pra limpar qualquer coisa
- Que se ele for esperto e limpar a sujeira que ele fez antes que eu veja, eu não vou brigar com ele (essa eu só aprendi depois dos 30)
- Que tentar fazer amigos é uma prática na vida, mesmo pros adultos

Claro que ele também poderia ter aprendido essas coisas no Brasil se a gente simplesmente tivesse parado de andar de carro, não tivesse faxineira e se escondesse de todos os nossos amigos. Mas aí, o inglês…

10 de fevereiro de 2014

Video: como imaginavam a casa do futuro em 1957

Uma gracinha esse vídeo de 1957 sobre como seria a casa do futuro. Acertaram na quantidade de plástico que nós temos em casa hoje (apesar de pouca gente usar pratos de plástico no dia-a-dia). E se esqueceram do mais importante: de tirar a mulher da cozinha.

POR Gisela Blanco    |    
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04 de fevereiro de 2014

6 pecados dos pais de classe média

No último fim de semana, o jornal Times aqui da Inglaterra publicou uma matéria muito bacana sobre os pecados dos pais de classe média – e como aprender a evitá-los. Achei muito útil e resolvi criar a minha lista baseada na deles, com algumas das coisas que estão lá e outras que tenho ouvido e discutido bastante ultimamente. A ideia não é incentivar a culpa materna (que nós já temos demais e sem necessidade), mas trazer à tona alguns hábitos que a gente tem na maior das boas intenções, mas que no fim do dia podem não ser tão legais assim.
Se você tiver alguma outra bacana, faça o favor de acrescentar aqui nos comentários… =)

- Entrar em guerras de comida
Aquela história de correr pela sala com o prato na mão atrás da criança, ficar insistindo pra ela comer “só mais uma colher pra mamãe ficar feliz” ou fazer chantagens com a promessa da sobremesa são táticas comuns de pais desesperados, mas não funcionam muito bem. Pra criança, fica a impressão de que aquele momento é dramático, que é a hora da briga mesmo. A dica dos especialistas: melhor fingir que não tem nada de mais e distraí-la na hora de comer, conversando, contando uma história. Não comeu? Levante da mesa e tire o prato como se nada tivesse acontecido. Só que nada de dar uma banana de lanchinho ou uns biscoitos entre as refeições pra ela não ficar com fome, tadinha (é duro, já fiz isso muito). Não vale dar só o que ela quer na hora em que ela quer.

Proibir coisas demais
Somos pais modernos, temos muito acesso a informação e sabemos exatamente o que faz mal e o que faz bem para os nossos filhos. Mas do ponto de vista dos pequenos, tantas restrições podem parecer simplesmente chatice.
Uma amiga postou um texto engraçadíssimo no Facebook esses dias dizendo que o filho dela e uma amiguinha foram pegos consumindo drogas na escola: se escondiam no intervalo para comer Fandangos e bolachas recheadas. É meio assustador para nós, pobres pais e mães que só querem o bem dos pequenos. Mas a verdade é que tudo o que é muito proibido parece mais interessante. Principalmente quando a criança prova uma vez e percebe que é uma delícia. Daí pensa: “pô, será que tudo o que a minha mãe proibe é gostoso assim como esse Baconzitos?”. Aqui em casa tive um drama parecido com a Coca-cola. Eu não dava, mas de tanto o Luisinho ver o pai tomando, começou a pedir. E aí toda vez que eu fazia cara feia, ele achava mais engraçado e pedia mais Coca. Rindo.

Endemonizar a TV

E eu acrescento: qualquer outro aparato (ipad, notebook, celular) que passe filmes e desenhos. Se você for um pai cheio de energia, ou tiver vários filhos que adoram brincar juntos e nem precisam ligar a TV e esse assunto não for um problema pra você, parabéns. Mas a maioria de nós não é assim. A maioria de nós precisa da bendita pra distrair as crianças de vez em quando. Ou pra assistir junto mesmo, que muita gente aqui gosta de assistir uma tevezinha mesmo e pronto (principalmente todas as temporadas de …………….. (insira aqui o nome do seu seriado favorito)). E pode ser bem legal reunir a família toda na sala pra assistir, rir juntos, falar mal do programa, o que for. O ruim da TV é quando ela se torna por muito tempo um programa solitário. E agora com os tablets, o risco é maior: cada membro da família fica lá em seu cantinho assistindo a uma coisa diferente. Um pecado que eu ando cometendo muito, preciso confessar. Como estamos com a TV quebrada, no último mês aqui em casa temos tido várias cenas dessas: a casa meio silenciosa, com cada um assistindo uma coisa diferente em seu ipad/notebook. É triste. Preciso dar um jeito nisso urgentemente.

Mandar mensagens no celular enquanto fica com seu filho

E checar e-mails. E postar alguma coisa no Facebook. Ou qualquer outra coisa. São pecados que eu cometo frequentemente. Mas estou tentando me regenerar, juro. Segundo a fonte do Times, quando você faz isso, passa para o seu filho a mensagem de que aquilo que está acontecendo no celular é mais importante do que ele, que está ali na sua frente. Ou seja: quando estiver com ele, esteja de verdade, com o corpo e com a cabeça também. Depois de ler isso, eu comecei a deixar o celular mais de lado quando estou com o Luisinho e aí deixo para checar e-mails etc naqueles momentos em que ele estiver assistindo ou jogando no tablet. E se a coisa for mais urgente do que isso e eu precisar responder uma mensagem ou alguma outra coisa enquanto estou com ele, tento deixá-lo a par da situação. Explico o que eu estou fazendo “peraí rapidinho que eu vou responder a mensagem do papai, tá?” ao invés de simplesmente olhar pro celular e entrar em outra dimensão.

Elogiar a criança o tempo inteiro

Eu sei que você também faz isso e não é por mal. Mas por mais que a gente queira que eles se sintam amados e lindos e muito legais, aparentemente, fazer isso demais não é tão bom assim pra eles. Várias pesquisas mostram que crianças que recebem muitos elogios podem passar a se esforçar menos para cumprir tarefas. A longo prazo, os efeitos podem ser bem ruins – seu filho pode virar uma pessoa com a autoestima inflada demais ou arrogante, por exemplo, e enxergar pouca graça na vida. Então ao invés de olhar para aqueles rabiscos que ele fez no papel e dizer: “uau! está lindo!”, melhor falar: “que bom que você está tentando desenhar. Continue treinando, que você pode ficar muito bom nisso”.

Usar seu pouco tempo com ele só para brincar

Essa é um clássico da nossa Era. O tal do “tempo de qualidade” ao invés da quantidade. Uma bela falácia pra diminuir um pouco a nossa culpa por não poder ficar perto deles como deveriamos. A mãe/pai trabalha o dia inteiro, fica longe do filho, e aí quando tem aquelas 2 horinhas no fim do dia, quer ser a pessoa mais legal do mundo e só fazer brincadeiras e nunca nunca brigar, nada chato. Os blogs internet afora estão cheios de dicas sensacionais do que fazer de divertido com seu filho no pouco tempo “de qualidade” que vocês tem juntos. Acontece que tempo de qualidade também significa educar a criança. Por isso vários psicólogos indicam que pode ser mais produtivo para os pais gastarem esse pouco tempo com os filhos fazendo tarefas do dia-a-dia, como limpar a casa, tomar banho, arrumar o quarto. Deixar a “parte chata” pra outra pessoa fazer pode ser uma cilada e fazer com que ele não entenda as obrigações que os adultos (e ele também) têm. Rá! Pelo menos nessa eu não tenho culpa nenhuma – Luisinho já tá craque em colocar roupa na máquina, tirar, me ajudar a lavar a louça… temos tido muito tempo de qualidade por aqui =)

E você, quais são os seus pecados? Confessa aí!

POR Gisela Blanco    |    
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02 de fevereiro de 2014

Publieditorial: O melhor tipo de fraldas para bebês que já andam

Já faz exatamente 1 ano que o Luisinho parou de usar fraldas durante o dia. Mas, acredite se puder, às vezes sinto umas saudadezinhas. Não de limpar cocôs, claro (usg!). Mas de ver aquela criatura fofa correndo só de fraldinha pela casa.

Naquela época, percebi que o melhor tipo de fraldas para essa fase em que eles já são grandes o bastante pra sair correndo por aí – mais ou menos entre 1 e 2 anos – são as que vestem igual uma cuequinha, sem o adesivo nas laterais. Como a Veste Fácil, que a Huggies está lançando agora. A maior vantagem é que esse tipo de fraldas evita os acidentes desagradáveis que acontecem quando o bebê se movimenta muito e a fralda acaba abrindo. E também dão mais liberdade pra eles fazerem o que tem que fazer nessa fase mesmo: se movimentar. Afinal, apesar de todo o nosso cansaço correndo atrás, a gente sabe que isso faz bem pra eles. Na hora de retirar a fralda dos pequenos, é só rasgar a costura da lateral, e usar o tape colado no verso da fralda para fechá-la e descarta-la com mais facilidade. Bem prático!

Saiba mais sobre a fralda Veste Fácil.


POR Gisela Blanco    |    
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29 de janeiro de 2014

Como ensinar programação para seu filho de 3 anos

Hoje em dia não basta saber usar computador, tablet etc. Isso, quem tem criança em casa está de prova: eles nascem sabendo. Importante mesmo é programar: entender como esses gadgets funcionam e comandar a brincadeira. Sei que tem muito pai e mãe por aí que sabe disso e não aguenta esperar pra ver o filho começando a aprender algo sobre programação. Por isso achei genial esse brinquedo aqui que ensina a lógica da coisa brincando a partir dos 3 anos. Pena que o brinquedo custe meio caro (170 euros). Mas aposto que rapidinho alguém esperto por aí faz algo parecido… =)

Primo from primo.io on Vimeo.

*** Update: O Rafael, que faz assessoria da marca aqui no Brasil, me escreveu contando que um terço das vendas do Primo foram pro Brasil. E o site deles já está em português e o produto chega aqui por cerca de R$ 800.

Dica do Luís Fagundes, via tenho1ideia

POR Gisela Blanco    |    
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22 de janeiro de 2014

publieditorial: Como ensinar seus filhos a usar a internet de forma responsável

Se tem uma coisa que eu sempre falo por aqui – e nunca é demais repetir -, é que precisamos ficar de olho no que os nossos filhos fazem na internet. E também em como nós mesmos estamos expondo a privacidade deles (e talvez até a segurança). Afinal, internet é terra de todo mundo e de ninguém, então nunca é demais prestar atenção no que fazemos online (ou ainda mais importante, no que as crianças fazem).

Pra quem ainda tem dúvidas do que os filhos estão fazendo na rede (e de como orientá-los pra usá-la da melhor forma possível), recomendo ler o Guia Internet Responsável que a GVT fez em parceria com as ONGs Safernet e CDI. Eles trazem números sobre o que nossos filhos andam fazendo quando estão online – 82% das crianças entre 9 e 16 anos, por exemplo, garantem que usam a internet pra fazer trabalhos escolares. Em segundo lugar, visitam as redes sociais. E aí, pasme: 57% deles afirmam que mentem a idade e já forneceram seu endereço na rede. Os riscos são óbvios. 

Outros itens bem recorrentes na nossa vida online também estão lá, como compartilhamento de arquivos e de música, jogos online e os rastros digitais, as “pegadas” que a gente deixa por aí quando faz qualquer coisa na internet. E que, é bom saber, podem ser bem difíceis ou impossíveis de apagar.
Então fica a dica: conhece algum pai ou mãe que não tem ideia do que os filhos fazem na internet e dos riscos que eles podem estar correndo? Mande esse link pra eles!

POR Gisela Blanco    |    
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17 de janeiro de 2014

Eu fui morar em Londres. O meu filho, dentro de um conto de fadas

voadinha básica em frente ao relojão

Londres pode ser uma cidade chuvosa e cinzenta. Mas em cada esquina se esconde uma história diferente. Em cada palácio, há uma bruxa malvada. Em cada torre alta, uma princesa presa, esperando por socorro. Em cada pequeno bosque, animais falantes e mágicos. Sem contar que os trens do metrô são supersônicos e viajam para o futuro, para o passado, para onde a gente mandar.

Antes que você venha me perguntar o que eu ando tomando junto com o meu chá, explico: essa é a Londres da cabeça do Luisinho. E talvez a culpa seja minha.
Quando chegamos aqui, percebi que minha vida não seria nada fácil. Levar e buscar o guri de metrô pra escola todos os dias, fazer com que ele cooperasse em situações com as quais não estava acostumado no Brasil – subir muitas escadas, andar longas distâncias, ficar muito tempo fora de casa e, acima de tudo, ter que se comportar bem em todas essas situações. Então comecei a perceber que contar uma história sempre ajudava um pouco. E nos últimos meses tenho colocado toda a minha criatividade à prova. Fiquei íntima do João e da Maria, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, 3 Porquinhos, Lobo Mau e uma dezena de bruxas malvadas, princes e princesas para todos os gostos.

Funciona mais ou menos assim:

* Situação: ele não quer subir as escadas do metrô. Diz que está cansado e eu pressinto um chorinho chegando…
* Solução: “Ei, mas você sabe o que aconteceu com o patinho feio que não conseguia subir a montanha da floresta? Os outros bichos apostaram corrida com ele e acharam que ele não ia ganhar, mas aí ele foi esperto e procurou uma bruxa boazinha que fez um feitiço pra que ele voasse mais rápido e…” (continua….)

E enquanto conto a histórinha, o pequeno vai subindo as escadas sem nem perceber. E a história se prolonga até chegarmos em casa. (aliás, esse é o truque: distrair com as histórias pra que ele nem perceba que está fazendo o que não queria fazer)

Outro exemplo:

* Situação: ele não quer sair de casa pra ir à escola e eu estou atrasada pras aulas do mestrado.
* Solução: “Luisinho, vem cá! Acabo de receber uma mensagem do João e da Maria [mostra um sms qualquer no celular]. A bruxa malvada prendeu eles numa torre lá perto da sua escolinha e a gente precisa correr lá pra salvar os nossos amigos! Vamos ter que pegar um trem super rápido pra chegar antes que a bruxa coma eles no jantar!”

Geralmente funciona. Se eu estiver inspirada e conseguir fazer com que ele entre no clima, vamos planejando o duelo contra a bruxa até a escola. E quando chegamos, a história provavelmente já teve um final feliz.
Algumas das histórias acabam ficando bem engraçadas, como a que eu inventei outro dia pra convencê-lo a tomar banho, com uma bruxa fedorenta que foi derrotada pelo shampoo do príncipe cheirosinho. Mas desconfio que só funcionem bem com crianças realmente pequenas. De qualquer forma, tem sido um bom método de contornar qualquer tipo de birra e falta de motivação. Funciona até com fome, sono, frio. Quando não dá pra ter o que ele quer na hora em que ele quer, as historinhas ajudam a desviar o foco e a esquecer um pouco o sofrimento.

É claro que nem sempre eu tenho paciência pra contar tanta história. Na maior parte do tempo tem sido bem fácil e divertido viver no meio de tantas histórias. Mas às vezes também me canso e a criatividade fica enferrujada. E, confesso, tenho um pouco de inveja de quem pode se dar ao luxo de ficar em silêncio por algum tempo.

Mas o mais legal disso tudo é que nessas jornadas cheias de bruxas e príncipes, criamos uns momentos só nossos, com histórias só da gente, longe da TV, do celular e do iPad. Por isso acho que vale a pena insistir na criatividade, calibrar a paciência. Não me entenda mal: adoro a TV, amo o iPad e tudo o mais que tem botões e faz barulho. (se tiver wifi então, melhor ainda). Mas acho que precisamos de tempo só pra gente também, sem tantas interferências. E, mais do que tudo, sem dependência. Se a criança se acostuma a almoçar só assistindo desenhos no iPad, os pais estarão ferrados no dia em que esquecerem de levar o brinquedinho pro restaurante. Mas uma boa história dá pra contar em qualquer lugar, se você tiver lembrado de levar seu cérebro e a sua boca.

POR Gisela Blanco    |    
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06 de dezembro de 2013

Desafio Mãe Geek em Londres

Pulando pra espantar o frio

Há 2 meses eu, marido e Luisinho nos mudamos para Londres. Nós, adultos, viemos fazer mestrado aqui. Foi uma decisão pensada e repensada, uma mudança para qual nos preparamos bastante. Mesmo assim, quando chegamos aqui a sensação era de que simplemente viramos um pro outro certo dia e falamos: “Nossa vida tá boa demais aqui, com toda essa tranquilidade e cheios de amigos. Vamos nos ferrar um pouco? Beleza, vamos!”.
Nas primeiras semanas só conseguiamos nos perguntar o que estavamas fazendo aqui. Tudo aqui parecia muito difícil. Apartamento caro e pequeno, a 15 minutos do metrô que viram uma eternidade andando com o Luisinho no frio (e agora está ficando muuuito frio… brrrrr!), poucos amigos, nenhum amigo pro Luisinho que more perto. Nosso dia-a-dia é bem solitário. E cansativo, já que deixamos pra trás aquela vida classe-média-brasileira com empregada e carro. E a ida para a escolinha, todos os dias andando um bocado, e pegando uma meia hora de metrô, o que inclui subir e descer muitas escada, já que aqui a coisa é na base da antiguidade e não tem elevador na maioria das estações.
Mas a tudo isso a gente se acostuma em pouco tempo. O que não quer dizer que não seja cansativo igual, mas dá pra se acostumar e aprender a fazer tudo mais rápido e reclamar menos.
Rapidinho a gente se acostuma às viagens diárias de metrô – inclusive o Luisinho, que já aprendeu a descer do carrinho de bebê nas horas certas e subir as escadas enquanto eu levo o carrinho (algumas vezes ele até tenta me ajudar a carregar, o que é a coisa mais fofa do mundo). Além disso, no que falta de modernidade ao metrô de Londres, ele ganha em capital humano: tem sempre algum estranho gentil que se oferece para carregar o carrinho escada acima enquanto eu subo com o Luisinho.
Com o tempo, a gente também se acostumou a andar bastante pra lá e pra cá com o guri e ele parou de ficar empacando, se recusar a subir no carrinho ou querer correr pro lado oposto ao que a gente vai. E a andar de patinete – o recurso divertido que muitos pais usam aqui para fazer as crianças andarem longas distâncias, já que todo mundo aqui anda muito.

Muita confusão e altas aventuras no patinete. Na rua de casa.

O que não dá pra se acostumar de jeito nenhum é à falta de amigos. Principalmente pro pequeno – eu já tenho duas grandes amigas de Brasília que moram aqui -, que passou de uma vida muito sociável em São Paulo cheio de vizinhos da mesma idade que brincavam com ele todo dia para uma vida meio isolada de ver crianças só na escola e não entender nada do que elas falam. É claro que rapidinho fomos atrás de outros pais brasileiros que moram aqui com crianças da mesma idade e encontramos gente bem bacana, mas moram todo muito longe, impossível de encontrar durante a semana. Tenho ainda uma prima com um filho um pouco mais novo que mora aqui, ótima companhia pro Luisinho, mas o encontro dos dois só acontece em alguns fins de semana, pelo mesmo problema de distância. Resultado: durante a semana o Luisinho passa todas as manhãs e fins de dia conosco em casa, sem nenhum amiguinho.
Mas minhas esperanças não acabaram. Londres, apesar de fria e cinzenta, é uma cidade com uma baita infra-estrutura para crianças. Aqui perto de casa já encontrei vários parquinhos legais para levar o guri, biblioteca com contação de história e natação para crianças pequenas. Tem também os “drop-ins”, lugares fechados (geralmente em um parquinho) para levar seu filho para brincar quando está frio, parecido com uma brinquedoteca. São locais públicos que tem um monitor especializado, uma boa infraestrutura e cobram baratinho, coisa de 3, 4 reais. E o mais genial: não ficam dentro de um shopping! Bom, temos ido a todos esses lugares e eu juro que distribuo toda a minha simpatia para os outros pais e mães e pais, mas até agora não dei sorte. As pessoas aqui costumam ser bem fechadas e se reunir em grupos por nacionalidades. Ou talvez a minha simpatia esteja meio enferrujada, hehe. Mas vamos lá, vou continuar insistindo e se em 1 ano não funcionar, vocês podem concluir que foi culpa da minha (falta de) simpatia mesmo. Já pensei até em deixar bilhetinhos debaixo das portas dos meus vizinhos aqui perguntando se alguém tem uma criança de 2 a 5 anos que queira brincar com o Luisinho. Atitude desesperada?
Desesperador mesmo está o meu mestrado. Estou fazendo em Business Innovation for E-business, na Birkebeck, Universidade de Londres. A Universidade é incrível, tem uma baita estrutura, ótimos professores, biblioteca super completa, e o curso é maravilhoso. Estou gostando mais do que achei que iria. Mas ao mesmo tempo, a exigência é grande e, como a minha escolha foi fazer o curso full time (dura apenas 1 ano), tenho que me virar nos 30 pra dar conta de estudar tudo e ainda cuidar da família e da casa. É claro que o marido divide todo o trabalho de casa e Luisinho comigo – e em épocas de provas ele faz mais do que eu, coisa incrível – mas mesmo assim é cansativo. Afinal, pra cuidar de uma criança, dois são pouco. Como dizem por aqui, “it takes a whole village to raise a child”, ou, em português, é preciso de uma vila inteira para criar uma criança.
E olha que eu ainda queria aproveitar para trabalhar por aqui, mas estou percebendo que por enquanto vai ser beeem difícil. É desafio digno de reality show: será que uma mãe de uma criança de 3 anos, sem empregada e babá, vai conseguir trabalhar e fazer mestrado (incluindo uma dissertação digna) em outro país em apenas 1 ano?
Descubram nos próximos capítulos… =)

Parquinho em frente à London Eye

POR Gisela Blanco    |    
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23 de agosto de 2013

A incrível história da criança que adora brócolis

Começou assim: um dia estavamos no clube e o Luisinho viu umas criança tomando sorvete. Pediu também, claro. Mas como estava na hora do almoço dei uma enrolada nele. “Não, vamos pra casa que lá na nossa geladeira tem um sorvete especial”. Ele topou. Chegando lá, fui procurar o que tinha na geladeira pra fazer as vezes de sorvete. Hum… que tal um pote de brócolis gelado? Para o meu espanto, ele adorou a ideia. A partir de então, passou a adorar brócolis. Estava inventado o SORVETE DE BRÓCOLIS! =D

Na verdade, depois descobri que muitas crianças pequenas curtem brócolis. Não gostam de nenhuma outra verdura, mas adoram as mini-árvorezinhas. Mas não, o Luisinho não vai dividir os brócolis dele com nenhuma delas. (quando eu parar de rir, prometo que ensino ele que dividir é importante… :P )

Não consegue nem imaginar seu filho comendo bem? Leia um post com 16 dicas para fazer as crianças comerem melhor.