Enquanto a polícia age nas favelas do Rio, aproveitamos também para fazer uma operação de pacificação do bebê. Afinal, a Copa do mundo tá aí.
Ele vivia acordando à noite, só queria colo e peito. Daí resolvi apelar para uma estratégia de guerra para a qual eu nunca imaginei que apelaria: chupeta.

Nunca gostei de chupeta (que em inglês, se chama pacifier). Afinal, pra quê eu daria pro meu bebê algo que faz mal pros dentes, atrapalha a amamentação e ainda vicia?
Mas aí um dia eu entrei em desespero e mudei de ideia. Não só resolvi dar chupeta pro Luisinho como travei uma batalha com ele pra fazer com que ele “pegasse”, aceitasse a chupeta (que ele cuspia desde as minhas primeiras tentativas, em momentos de desespero lá atrás).
Como acontece com quase qualquer mãe, pode dar um Google aí. Antes do bebê nascer, a gente jura que não vai usar. Mas guarda aquelas que ganhou no chá de bebê just in case. E aí quando a coisa aperta, é ela quem salva a gente. Afinal, as leigas mães de primeira viagem nem imaginam o QUANTO esses mini seres humanos precisam sugar. Muito mesmo. E, infelizmente, há um limite do quanto aguentamos ser sugadas.
Ele viveu sem chupeta até 1 ano. Daí uma tia veio e insistiu que o bebê só passaria a dormir a noite inteira sozinho quando virasse amigo da chupeta.

design de chupeta em 1900
Cedi, afinal, nossas noites eram uma guerra. Demorou até conseguirmos fazer com que ele gostasse dela (não da tia, da chupeta). Foram várias tentativas até que ele parasse de cuspir, atirar e chutar a chupeta pra qualquer direção. No fim das contas e com muita insistência (mas sem colocar mel na chupeta, como outras tias sugeriram), rolou.
Pronto: pacificado. Dorme a noite (quase) inteira com a nossa nova amiguinha. Menos quando ele quer a chupeta durante o dia, já que a chupeta é só pra dormir e durante o dia não tem moleza não, mermão!
Agora o momento de sabedoria: antes de pacificar meu guerrilheiro das madrugadas, fui dar uma lida sobre a história da chupeta. Ela existe da forma como a conhecemos há mais de 100 anos. Antes de ser de borracha, já foi de tecido e até de coral (em formato circular, mais parecido com um mordedor). No século 19, nos EUA, a chupeta era uma colher com açúcar e mel envolta num pedaço de tecido. Era colocar isso na boca do bebê para que ele ficasse calminho, calminho. Essa sim era de deixar qualquer dentista louco.
Já o medo atual é coisa de brasileiro. Foi uma pesquisa de pediatras daqui que mostrou que crianças que usam chupeta tem maior incidência de problemas dentários. Mas a pesquisa foi feita com crianças acima de 3 anos – idade em que, pelo menos teoricamente, elas não precisam mais da amiga pacificadora.
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Não é exatamente o assunto, mas não podia deixar de comentar uma coisa muito bizarra que descobri nessa rápida pesquisa: a Nuk fabrica chupetas em tamanho de adulto. Porque diabos, você deve estar se perguntando. Uma razão seria para quem quer parar de roncar: cientistas alemães garantem que usar chupeta é a melhor forma de fazer um adulto parar de roncar. Achou esquisito? Imaginou seu avô ou seu pai dormindo de chupeta? Pois existe um motivo mais esquisito ainda: adultos que tem um desvio psicológico (ou fetiche) que os faz gostar de fingir serem bebês. Chama-se em inglês Paraphilic infantilism, e é a coisa mais bizarra que eu já ouvi falar nos últimos tempos. Em São Francisco (sempre lá), tem até um evento para adultos assim que se chama “Baby Week”. Ok, cada um com as suas bizarrices, desde que não ofenda/machuque/traumatize ninguém. Mas eu já vou avisando: chupeta depois dos 3 anos faz mal pros dentes!!!