O assunto é recorrente, mas sempre dá o que falar: quase todas as mães e pais tem alguma dificuldade com o sono dos pequenos. Muitos quase todos ficam loucos, acabados, esgotados por causa disso. Cada um tenta resolver da sua maneira, ou da maneira dos livros mais populares ou mais recomendados. Muitas das técnicas são controversas e, o pior, nem sempre funcionam.
Recentemente, consegui fazer o Luisinho dormir sozinho, usando uma técnica do livro Nana Nenem – deixar o pequeno sozinho no berço e esperar que ele durma por si só. No meu post sobre o assunto, recebi comentários de mães que são contra. A Camilla acredita que não compensa deixar o bebê chorando porque ele pode se estressar tanto que os níveis de cortisol (hormônios do stress) podem continuar fazendo efeito no bebê por vários e vários dias. A Bárbara assina embaixo, também condenda a técnica e acrescenta que isso pode ser ruim para o desenvolvimento dos pequenos. Ela conta que seu bebê, o Jonas, dorme parte da noite na cama com ela e o marido e é uma beleza. Já a Vivian, disse que tentou essa técnica, da cama compartilhada, mas mesmo assim seu filhinho acorda a noite inteira e ela já não sabe o que fazer. Está cansada e triste, precisando muito de uma solução.
Como mãe latinoamericana – muito apegada ao bebê, preocupada e com coração mole -, só posso dizer que compreendo e concordo um pouco com as 3. Mas depois de pesquisar sobre o assunto, acredito que não dá para generalizar: cada caso é um caso. E o mais importante é que cada pai ou mãe reage e lida com a falta de sono de uma forma diferente. Há pais que aguentam numa boa, porque sabem que é temporário. Outros, ficam completamente esgotados, mal-humorados. Muitos casais começam a brigar. Alguns, de tanto acordar de madrugada, ganham problemas de sono permanentes, passam a ter que tomar remédios para dormir e por aí vai. E não adianta alguém vir falar “mas não quis ter filho? Então aguenta!” que ninguém no universo se prepara para 1 ou 2 anos de noites mal dormidas. E pouca gente consegue aguentar. Eu, por exemplo, nunca fui de dormir muito. Mas desde que o Luisinho nasceu, passei a dormir quase nada. Fico cansada e triste, assim como a Vivian. Com o coração acelerado. E desconfio que ter uma mãe tão estressada pode ser pior para o bebê do que chorar um pouco para dormir.
Por isso ao longo do último ano, tentei várias técnicas, inclusive a da cama compartilhada. Mas meu sono é muito leve e por mais que eu adore uma sonequina abraçada com o bebê, ele se mexe a noite inteira e eu não consigo dormir de verdade se ele está na minha cama.
Então acho sim que vale a pena tentar tudo o que pudermos (e nossa paciência aguentar, e que a gente ache que não vá fazer mal). Mesmo que tenha que lançar mão de várias técnicas, e que algumas delas não funcionem. Alguma vai acabar dando certo.
Então Vou falar um pouco sobre as duas técnicas mais conhecidas para fazer o bebê dormir. E sobre a minha experiência com elas.
Nana Nenem
O que diz: o livro é escrito por Europeus, que são um tanto mais duros do que nós, mães e pais latinoamericanos. Acredito que eles tem mais facilidade para seguir o que o livro manda: a partir dos 3 meses, deixar que o bebê durma sozinho em seu berço, sem balançar nem nada do tipo. Ele precisa entender que vai dormir sozinho e acordar sozinho, sem os pais por perto (inclusive se der uma acordadinha no meio da madrugada). Tem que aprender, sobretudo, a voltar a dormir sozinho se acaso despertar no meio da noite. No começo, muitos bebês choram. Alguns choram muito, alto, desesperadamente. Alguns vomitam de tanto chorar. E depois de alguns dias aprendem que devem dormir sozinhos e pronto. Mas o livro defende que os pais sejam firmes e sigam a técnica sem voltar atrás – só assim ela funciona. Também defende que o bebê precisa de uma rotina bem definida, de um ambiente tranquilo para dormir e de 3 pequenos rituais que indiquem que está na hora do sono. Por exemplo: banho, historinha e um beijo da mamãe. Recomenda ainda que os bebês sejam colocados para dormir entre 19h e 20h.
Prós: funciona. Não sempre, claro, mas pra muita gente. Algumas mães com quem conversei seguiram todas as recomendações do livro logo cedo e conseguiram fazer com que o bebê dormisse bem sem chorar nem 1 noite. Para mim, as duas dicas mais preciosas do livro foram a de estabelecer uma rotina – colocando o bebê para dormir no mesmo horário todos os dias -, e a de estabelecer um horário cedo para isso.
Contras: alguns bebês tem mais medo de dormir sozinhos do que outros. Tem medo de serem abandonados, afinal, eles não sabem se você está ali no quarto ao lado ou surfando no Havaí. É um mecanismo natural: imagine só ser um bebê indefeso e se descobrir dormindo sozinho no meio da selva? Uma onça pode aparecer e você já era. Então eles choram. Alguns choram MUITO. Alguns vomitam de tanto chorar. E alguns pais choram junto e não conseguem levar a técnica adiante. Muitos pais e a britânica Penelope Leach, autora do livro First Year Essentials: What Babies Need Parents to Know, acreditam que a técnica pode trazer danos físicos e cerebrais aos bebê. Outra desvantagem é que se você for viajar com o bebê, mudar o ambiente em que ele dorme, tudo pode ir para as cucuias e ele pode voltar a dormir mal.
Minha experiência: Eu confesso que nunca consegui empregar a técnica quando o Luisinho era menor, porque nem eu nem meu marido fomos capazes de vê-lo chorando por muito tempo sem fazer nada. Mas desesperados para dormir, tentamos novamente esse mês. Ele agora está com 1 ano e 4 meses, e continuava demorando para dormir e acordando várias vezes por noite. E qual não foi nossa surpresa quando tentamos o Nana Nenem agora: rolou uma choradeira, mas foi bem menor do que imaginávamos e durou só uma meia hora. Ele chorava um pouquinho, brincava um pouquinho. E uma hora dormiu. Tranquilo como um nenem. Mesmo assim, no dia seguinte tive receio de que ele ficasse estressado, bravo comigo. Mas nada. Acordou feliz, brincando com os brinquedos que eu coloquei no berço. E agora todas as últimas noites tem sido assim: dorme sozinho e sem chorar, brincando, feliz e tranquilo. Ainda acorda uma vez ou outra de madrugada. Mas aí eu apareço no quarto, encontro a chupeta que ele perdeu pelo berço e puf, ele volta a dormir na hora, sem eu ter que pegá-lo no colo. Ainda não é o ideal, mas pelo menos eu agora já consigo umas 4 ou 5 horas de sono seguidas, uma verdadeira conquista.
Soluções para noites sem choro
O que diz: que um bom sono deve ser conquistado de vagarinho, com paciência. É um livro bem mais “maternalista”. Se opõe ao Nana Nenem e é contra deixar o bebê chorando para dormir sozinho. Mas muitas das principais dicas se repetem nos dois: criar uma rotina, colocar o bebê para dormir cedo e mostrar para ele que aquela é a hora do sono. O livro aconselha os pais a fazerem uma tabela do sono do bebê, com os horários em que ele dormiu cada dia e como foram essas dormidas. Assim, fica mais fácil entender exatamente o que está atrapalhando o sono do pequeno.
Prós: é um livro muito mais carinhoso e ensina técnicas mais tranquilas, para serem tentadas uma por uma, de vagarinho. Nada brusco, que vá fazer mal ao bebê. Há muitas dicas simples, porém preciosas, como não deixar que o bebê se acostume a dormir só no peito da mãe.
Contras: como é um livro com técnicas mais “lentas”, às vezes podem não funcionar para pais desesperados. É difícil se lembrar, por exemplo, de anotar a hora em que o bebê acordou de madrugada quando você está tropeçando de sono.
Minha experiência: a dica mais importante do livro pra mim foi exatamente a de “desmamar o sono”. O Soluções ensina uma técnica para acabar com esse hábito de sugar para dormir. Eu juro que tentei. Mas não deu muito certo. O que resolveu mesmo foi fazer o Luisinho usar a chupeta. Não foi a melhooor troca do universo, porque ele ainda acorda quando perde a chupeta de madrugada. Mas pelo menos a chupeta não está grudada em mim, e assim eu posso dormir um pouco mais.
Bom, como eu disse antes, nenhum dos livros é perfeito, nenhuma das técnicas vai funcionar para qualquer bebê. Acho que toda mãe latinoamericana tem que observar bem o filho, e levando em conta os hábitos e a idade da criança, tentar entender qual técnica é melhor para cada momento. Ou técnica nenhuma!