Todo mundo sabe que fazer um bebê dormir a noite inteira todas as noites era o 13o trabalho de Hércules. Sem espadas e sem álcool. Mas limparam a barra dele porque era óbvio que o cara não ia conseguir.
Quando eles são recém nascidos, dormem pouco tempo seguido mesmo e é normal. Acordam pelo menos a cada 2, 3 horas e a mãe nunca consegue dormir seguido mais do que isso. Tem que mamar, tem que trocar fraldinha, e por aí vai. Mas todo mundo garante: quando ficar maiorzinho melhora. E a mãe de primeira viagem, ingênua e otimista pensa: quando parar de mamar só no peito, passa.
E aí o bebê começa a comer e brincar mais. E a mãe pensa: agora vai! E por uns dias ou até 1 mês inteiro, até que vai mesmo. E aí é só viajar ou mudar qualquer coisinha na rotina e o sono do bebê degringola de volta.
E aí a gente pede ajuda da pediatra, da internet, da tia experiente, recorre aos livros com nomes tão promissores – Nana Neném, Soluções Para Noites Sem Choro -, que pras amigas funcionaram mas que pra mim só dão certo durante 1 semana. Cede à chupeta, aperta o coração pra deixar ele tentar dormir sozinho no berço (e agüenta a choradeira), corta aquela sonequi ha na cama da mamãe, impõe horários, de um tudo. Mas aí é só sair da rotina 1 diazinho pra tudo voltar à estaca zero e o bebê voltar a acordar troce tas vezes por noite.
A ideia principal de todos esses métodos (que pra muita gente funcionam mesmo) é fazer com que o bebê seja independente na hora de dormir. Que não dependa dos pais pra adormecer nem pra voltar a dormir quando der aquelas acordadinhas no meio da madrugada. Coisa que é difícil fazer por aqui, afinal, não somos tão acostumados a seguir à risca aquela rotina tão necessária ao sono do bebê. Queremos ir jantar em um restaurante um dia, a uma festa na casa de alguém com o bebê, Ou fazer uma viagem. E aí ferrou.
Mas tudo bem, porque quando começar a engatinhar vai gastar mais energia e passar a dormir melhor. Não funcionou? Então espere só até ele andar. Aí vai! Ou começar a ir pra escolinha…
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Hunf.
Minha conclusão depois de 1 ano e 4 meses é de que não tem muito jeito. O sono do bebê não evolui como uma reta, mas como as curvas da estrada de santos (em dia de chuva e com pneu careca). Tem que ir com cuidado e se preparar para fortes derrapagens. Ou você tira a sorte grande de ter um filho que dorme bem com mais facilidade ou se vira nos 30, nos 300, and counting…
Dormir 6 horas seguidas é um luxo para poucos seres humanos, menos ainda para os que decidem procriar. O sono do bebê é muito instável. Parece mesmo um mecanismo natural de defesa: imaginem na natureza um bebê dormindo sozinho desprotegido no meio do mato? É melhor mesmo gritar para que algum adulto venha dar uma espiadinha.
Mas como somos racionais e evoluídos, lá vamos nós para a tentativa n. 348,7 de fazer o Luisinho dormir sozinho e a noite toda. Deixamos ontem que ele dormisse sozinho, com chupeta, com a mamadeira no berço, olhando de vez em quando e deixando claro que papai e mamãe estavam aqui do ladinho. Depois de meia hora de choradeira, dormiu.
E qual não foi a minha surpresa quando hoje depois do almoço, sem choro nenhum e no maior bom humor, dormiu de novo, so-zi-nho! Me deu até um tchauzinho com sua pequena mãozinha depois que o coloquei no berço e dei a mamadeira. Independente assim.
Ufa! Mais uma pequena conquista. Que sei lá quanto tempo vai durar…

