26 de outubro de 2012

Quando é OK fazer o iPad de babá?

Com um cardápio desses, é melhor ficar só no iPad mesmo...

Tenho ouvido a mesma pergunta de muita gente. Ou, na verdade, a mesma reclamação. “Outro dia fui num restaurante e na mesa ao lado, os pais nem ligavam pras crianças. Passaram o almoço inteiro brincando no iPad (ou outro tablet ou celular equivalente) enquanto os adultos conversavam, sem nem olhar pra elas”. Contada assim, a história parece triste e os pais parecem uns negligentes. Bem na hora de ficar com a família eles deixam os filhos com o iPad fazendo as vezes de babá? Tsc, tsc, tsc. Pais horríveis.

Bom, mas peraí. Antes de falar mal da família da mesa ao lado, vamos tentar imaginar que tipo de gente eles realmente são, tentando imaginar como foi o dia deles. Pode ter sido de mil formas, mas eu vou sugerir apenas duas. Vamos tomar um sábado como exemplo.

Opção 1 – As crianças acordam lá pelas 10h da manhã, daí acordam os pais, que falam alguma coisa mal humorada e dizem pra elas irem assistir TV e voltam pra cama. Ao meio-dia, papai e mamãe levantam igualmente mal-humorados (será que encheram a cara no dia anterior?), jogam uma água na cara, mandam os filhos se arrumarem e já vão saindo pro restaurante. Não sem antes colocar o iPad na bolsa. Afinal, eles terão que dar um jeito de silenciar os filhos durante o almoço inteiro. Arf. Viva o iPad!

Opção 2 – As crianças acordam às 7h da manhã e correm para a cama dos pais. Lá, começa a bagunça: papai e mamãe acordam dando abraços e beijos nos filhos, e pulam com eles pela cama, brincando de esconderijo com o lençol, fazendo cosquinhas em quem merece e dando muitas risadas. Depois, todos se reunem na sala para um delicioso café da manhã em família preparado pela mamãe. Durante o café, eles contam os sonhos que tiveram uns pros outros e fazem planos para o dia gostoso que terão. E aí, papai vai lavar toda a louça com a ajuda das crianças, que continuam a brincadeira na pia da cozinha, espalhando água para todo lado. Como essa família é feliz mas nós não estamos num comercial de margarina, talvez mamãe veja o chão todo molhado e se irrite um pouco, exigindo que as crianças limpem o piso depois da brincadeira. Depois, mãe e pai correm para se arrumar e arrumar os filhos para sair para uma deliciosa manhã no parque. Como estamos falando de uma família normal, dá para imaginar que eles demoram mais de 1 hora para conseguir escovar os dentes, calçar os sapatos de todo mundo, limpar toda a bagunça da sala e arrumar as mochilas para o passeio. Chegando no parque, são pelo menos mais 2 horas de brincadeiras, andar de bicicleta, correr, rolar na grama, brincar com areia e terra e comentar sobre quase todas as raças de quase todos os cachorros que passam perto das crianças. Papai leva o filho maior para ver as pipas e explica tudo sobre como os objetos aerodinâmicos conseguem voar. Mamãe aproveita para fazer exercício pedalando com o filho menor na cadeirinha na bicicleta e os dois vão contando histórias um pro outro durante todo o caminho. Depois, exaustos, todos tomam uma água de côco e se despedem do parque. Já é hora de sair para o almoço. No restaurante, mamãe resolve tirar o iPad de dentro da bolsa e dá para os filhos brincarem um pouco. É hora de aproveitar para conversar um pouco sobre coisas de adulto com o papai. As crianças passam meia-hora concentradas em seu joguinho preferido (que é divertido e educativo, provavelmente) e os pais podem comer sossegados, mastigar devagar e ainda conseguem namorar um pouquinho. Perfeito. Viva o iPad!

E aí, agora que você sabe o que a família da opção 2 fez antes de chegar àquele restaurante e colocar um iPad nas mãos dos filhos, simpatiza mais com eles?

Então vamos parar de encher o saco das pobres famílias com iPads, certo? Obrigada.

Eu não posso dizer que eu não julgo as pessoas da mesa ao lado (é claro que eu também faço isso de vez em quando). Mas se paro para pensar no assunto de verdade, só acho o iPad seja um problema quando está no contexto da família número 1. Como eu não sei que família é aquela e o quanto aqueles pais estão cansados, nada de julgar. Despregado de qualquer contexto, acho o iPad uma ótima babá. Sério mesmo. Tem vários apps divertidos, educativos, estimulantes, inteligentes. Coisa que eu adoraria ter tido na minha infância (infelizmente eu não tive um gameboy, no máximo aqueles joguinhos de Tetris portáteis, importados do Paraguai). É claro que nenhum desses gadgets – não importa o quão divertido ele seja – deve ser a única companhia de uma criança por muito tempo. Mas sério, durante um almoço, durante um jantar, uma horinha aqui, outra meia-horinha ali, não vai fazer nenhum mal. Pelo contrário. Muito melhor isso do que o “cala boca menina, que agora é assunto de adulto!” que a gente ouvia os pais falarem alguns anos atrás. E pô, ver a criança brincando ali naquela hora com um computadorzinho não quer dizer que ela faça só isso. É claro que o ideal é que os pais brinquem com o iPad (e outros gadgets) JUNTO com a criança. Mas se não dá, ou se ele está cansado, precisando de um tempo para si próprio, não vejo nada de mal em deixar a criança jogar sozinha um pouco (se o jogo for adequado para a idade dela, claaaaro).

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Quem tem filhos e cuida deles pra valer – sem ajuda 24/7 de uma babá de carne e osso – sabe como pode ser cansativo ter todos aqueles cuidados e inventar brincadeiras o dia inteiro. Chega uma hora que você simplesmente precisa que a criança se distraia para fazer alguma coisa em casa, ter um tempo para você ou conseguir conversar com alguém sossegado. Pais também tem direito a isso, oras. É saudável e bom para a criança também, que não vai correr o risco de ter um pai/mãe ranzinza e cansado. Mas é redundante falar isso nesse blog. Quem tem filho já sabe disso. Por isso eu desconfio que a maior parte das pessoas que reclamam da família na mesa ao lado com o iPad são solteiros e sem filhos.

Eu brinco muito com o meu filho. Tenho o privilégio de ter bastante tempo com ele e nos divertimos de várias formas diferentes. Nem para assistir TV eu costumo deixá-lo sozinho – sento e assisto junto, comentando os desenhos. Por isso não me sinto nem um pouco culpada nos momentos em que eu empresto meu iPad pra ele rezando para que se distraia um pouquinho. É claro que não precisa ser só o iPad – ele pode se distrair sozinho com brinquedos de montar, um livrinho ou um fazendo um desenho com giz de cêra. O iPad é só mais um dentre vários brinquedos legais que a gente tem. Na verdade mesmo, o Luisinho ainda não se distrai tanto com o iPad. Talvez por ser muito novinho, o máximo que se concentra são uns 15 ou 20 minutos, mas sempre pede minha ajuda nos joguinhos ou fica querendo me mostrar o que aconteceu com o personagem. E aí eu me pego de vez em quando insistindo para que ele brinque um pouquinho mais “olha sóóóó que legal esse personagem aqui, ó! Aperta aí, vaaaaai!”. O que ele quer geralmente é sair correndo e brincar de esconde-esconde. Ou subir e pular de algum lugar bem alto. Inclusive durante almoços em restaurantes.

E aliás, é graças à existência do tablet, do smartphone e de outros gadgets que eu posso passar tanto tempo com o meu filho. Só assim posso sentar do lado dele no chão enquanto brincamos em seu quartinho cheio de brinquedos espalhados pelo chão e responder meus e-mails. Ou fazer qualquer coisa urgente que, caso o meu iPad não existisse, eu teria que resolver em um escritório bem longe do meu filho, enquanto uma babá provalmente mal-humorada e contando as horas para ir embora finge que brinca lá com ele. E, bom, é claro que um iPad vai ser mais interessante para uma criança do que a maior parte das babás de carne e osso. Uma pesquisa do instuto Nilsen mostrou que, no ano passado, uma entre cada 3 crianças já queria ganhar um iPad de presente de Natal. Imagine agora.

Sei que é chato às vezes ficar respondendo e-mails enquanto ele está lá comigo. Mas é o jeito que dá. E eu prefiro que seja assim, perto dele, do que longe. Meu filho vai crescer vendo a mãe mandando uma mensagem ou escrevendo algum texto entre uma brincadeira e outra. Isso não tem jeito. O mundo se comunida assim agora. Mas vai crescer perto da mãe e não com uma babá ou passando o dia inteiro na escolinha.

Foi mais ou menos isso que o comediante americano Louis C.K. quis dizer nesse vídeo aí, que recebi ontem de um amigo. Está em inglês, mas em resumo, ele explica que as pessoas que fazem cara feia enquanto o vêem mandar um SMS quando está com a filha pequena não fazem ideia da conversa legal que eles tiveram antes disso e como foi aquele SMS que o possibilitou passar mais tempo com a filha.

É claro que continuamos com o problema de estabelecer limites e definir quanto tempo é OK passar concentrado no iPad enquanto seu filho está ali do lado, assim como quanto tempo é OK deixar o brinquedinho na mão da criança. Acho que tudo é uma questão de bom senso. Você pode querer seguir a recomendação da Academia Americana de Pediatria e restringir a exposição a telas a no máximo 2 horas por dia e a partir dos 2 anos. Ou você pode simplesmente usar o seu bom-senso e parar de se sentir culpado(a). Afinal, quem sabe o quanto aquela atividade é boa para você e para seu filho são vocês dois (você mais, hehe). E também o que você fez antes daquele momento na mesa do restaurante, e tudo o que vai fazer depois…

30 de janeiro de 2012

“Você cuida desse bebê?”

Cuido, eu cuido muito do meu filho. Mas não é exatamente isso que as pessoas têm em mente quando fazem a pergunta acima.

O que elas querem saber é se eu sou a babá dele. E não foi 1 nem 2 vezes que isso aconteceu.

Meu bebê é loirinho de olhos azuis. Um bebê polaquinho. Eu, morena, cheia de brasilidade, sabe comé? E mais jovem do que a maioria das mães de classe média. Então não é raro que pais, mães, babás, porteiros, carteiros e caixas de padaria pensem que eu sou a babá. Principalmente se eu estiver passeando com o pequeno em um dia de mais ahn, digamos, casualidade (ah, e quem é que sai de casa toda produzida pra ir à pracinha de manhã cedo? Por quê a Gisele Bündchen fica linda de calça jeans e regata e eu fico com cara de pobre?). As pessoas são tão pouco observadoras que nem notam que, tirando as cores do cabelo e dos olhos, o bebê é a minha cara. A MINHA CARA!

O caso mais recente aconteceu ontem, quando fui passear com o Luisinho num parque. Tentei puxar papo com as outras mães que estavam por perto com filhos da mesma idade. E senti que elas me cortavam. Até que pelas tantas solto um “o meu filhinho, dá um abraço na mamãe!” e elas me olham diferente. A ficha demorou um tempo pra cair. Mas em algum momento olhei para as outras pessoas ao meu redor e reparei que todas as babás estavam de blusa branca. E aí me toquei que eu também estava de blusa branca. E calça jeans e havaianas. Sem querer, me uniformizei. Pã!

Mas o fato é que ainda não consegui concluir se acho isso bom ou ruim. Ser babá, afinal, não é vergonha para ninguém. E eu até acho divertido poder fingir que eu sou outra pessoa de vez em quando. Às vezes, Ainda mais depois que eu vi na TV a chamada pra um programa de chefes que se disfarçam de funcionários e se infiltram nas próprias empresas. Rá!

Ainda tem outras vantagens:

1 – Saber sobre o que as babás conversam na pracinha quando os patrões não estão por perto. (até agora nenhum incidente nem atitude suspeita detectados)

2 – Ver o quanto os porteiros e vigias dos lugares estão prestando atenção no bebê. Uma vez um porteiro do prédio, achando que eu era babá, perguntou onde eu tinha deixado o bebê (que estava do lado de fora do prédio com 2 amigas minhas). É bom mesmo que eles nos ajudem a fiscalizar.

3 – Saber qual mãe é babaca o bastante para tratar uma babá mal só porque ela é babá.

Mas tem suas desvantagens também.

A principal é não parecer mãe do meu próprio filho. Afinal, eu tenho o maior orgulho de sair por aí empurrando aquele carrinho com um bebê fofo dentro. E poxa, eu carreguei ele tanto tempo na minha barriga, pari (e doeu!)… não tenho então o direito de ser tratada como mãe? Hunf.

E calma que ainda piora. Quando saio com o bebê e ao mesmo tempo com uma das minhas duas cunhadas (loiras, de olhos azuis e bem mais velhas do que eu), aí é que ninguém tem dúvidas mesmo. Alguma delas é a mãe, e eu sou a babá, mesmo se estiver vestida de ouro da cabeça aos pés. Aí sim a coisa fica feia, mermão: eu morro de ciúmes.

10 de agosto de 2011

Que tal uma vovó au pair?

Eu aqui nesse dilema de procurar babá, resolvi tentar ser chic e dar uma olhada nos programas de au pair – aquele tipo de intercâmbio em que a moça viaja pra cuidar dos filhos de um gringo e aprende uma lingua. Tive várias amigas que foram au pair na Europa, algumas com boas experiências pra contar, outras com roubadas loucas.

E aí, de repente, surgiu a curiosidade: será que alguma jovem estudante gringa não topa vir cuidar do Luisinho? Será que é muito caro? Será que ia ser legal? Será? Será?

Quando ia começar a minha busca, encontrei algo ainda mais legal: uma agência alemã  especializada em vovós au pair. Assim: você é uma jovial senhora de uns 50, 60 anos, está lá sem fazer nada, quer viajar, conhecer o mundo, e o que você mais fez na sua vida e

Rita Charalampiev passou seis meses no Canadá cuidando de gêmeos

sabe fazer muuuito bem é cuidar de crianças. E se for ativa e cheia de gás que nem a minha mãe e a minha sogra (que moram longe e vão morrer de ciúmes desse post), que pintam e bordam com o Luisinho… perfeito! É dessa senhora aí que eu preciso! Será que alguma delas topa vir pro Brasil? Acabei de mandar um e-mail perguntando. Se tudo der certo, ainda faço uma surpresinha pro Leandro, já que eu ainda não contei essa idéia pra ele – imagine que legal um belo dia ele chegar em casa e encontrar uma senhora gordinha alemã de mala e cuia, sentada na sala brincando com o nosso bebê? Surpresaaaa! hehe

Na verdade, já tinha pensado em algo assim no ano passado, quando duas vizinhas se mataram. A primeira foi uma senhora que morava no prédio em frente ao meu. Tinha uns 60 anos e se jogou da janela do quinto andar. Cheguei a ver o corpo dela estendido no chão antes da polícia chegar. O Luisinho estava com 1 mês. A segunda foi a minha vizinha de porta no apartamento novo. Tinha mais ou menos a mesma idade da outra e tomou veneno no dia do Natal. Morreu sozinha em casa.

São histórias tristes, eu sei. Desculpe se eu estraguei o seu dia (e a alegria desse post) com elas. Mas quando os dois casos aconteceram, pensei a mesma coisa: eu aqui precisando de ajuda, precisando de uma avó por perto, e essas senhoras se matando provavelmente porquê sentem-se solitárias. Da próxima vez que outra estiver se sentindo assim, pensando em besteira, bem que podia vir aqui me ajudar com o Luisinho, brincar com ele, fazer um bolinho pra gente, passear conosco. Prometo muito trabalho, mas também umas boas doses de gargalhadas e muita felicidade pra ajudar a espantar essa tristeza…

09 de agosto de 2011

8 coisas que eu aprendi em 1 mês sem babá*

Oi Rosie, que tal uma recolocação profissional?

 

Minha babá me deixou sem aviso prévio. Disse que o problema não era comigo, era com ela, que era ela quem precisava de um tempo.

Ok, menos drama: ela mora longe e tava sem ninguém pra cuidar do filho dela. Dá pra entender.

Não, não dáááá!!! Buááááááá! Snif, snif, nunca imaginei dor maior!!! Não desejo isso pra ninguém. Pior do que acabar namoro por SMS.

Mas esse sofrimento me fez ver algumas coisas. Vamos lá:

1- Trabalhar é para quem tem tempo livre

Faz papinha, lava a louça, faz almoço, coloca a roupa na máquina, tira o bebê debaixo da mesa, tira a roupa da máquina, pega o bebê no colo, passa a roupa que já secou, pendura a limpa, varre a sala, acalma o bebê chorando, arruma as roupas no quarto, passa um pano na sala, acode o bebê que caiu de boca no chão, arruma a cozinha, prepara o banho, dá almoço/jantar/frutinha, esteriliza mamadeira, troca fralda, seca o bebê, dá uma mamadeira, coloca pra dormir, vai lavar roupa delicada à mão no tanque. Não necessáriamente nessa ordem. Trabalho intelectual é pra quem pode e pra quem não está completamente exausto às 20h30 e já vai acordar logo às 2h com bebê chorando de volta. Quem não aguenta mais nada desaba no sofá e assiste a novela, que nem o indicador tem mais forças pra mudar o canal no controle remoto. Punk rock hardcore.

2- 10 meses é level hard

Ele é fofo. Ele engatinha. Ele gosta de viver perigosamente. Entre uma gargalhada e outra, o Luisinho pega TUDO o que encontrar pela frente, rasga todos os papéis, sobe em lugares inimagináveis, tem uma atração por quinas (e sagacidade pra arrancar os protetores), cai, escorrega, bate a cabeça, bate a boca, bate tudo. Pelos meus calculos, seriam necessárias mais ou menos umas 3 a 4 pessoas por vez pra tomar conta de um bebê e da casa de forma decente. Imagine eu sozinha.

3- Existe delivery de papinha

Ok, nem tudo está perdido. Ontem, depois de queimar um panelão de papinha (fui só dar uma olhadinha nos e-mails, pôxa…), dei uma googleada e achei o Empório da Papinha. Liguei assim: “AlÔ? É UMA EMERGÊNCIA! Vocês entregam papinha em casa?”, “Entregamos!”, “Opa, manda logo 10!”. E 2 horas depois as papinhas estavam aqui, bonitinhas. E são uma delícia! Recomendo fortemente a de frango com agrião (mas se for pra você, pede uns 3 potinhos, que essas porções pra bebê são muito pequenas! hehe). Ah, se eu soubesse antes, tinha me poupado uns bons fios de cabelo e muitas horas de lavação de louça. Então pra quem é de São Paulo, #ficaadica. E pra quem não é, #ficaoutradicamelhorainda, que é a de contratar uma cozinheira e fazer um delivery desses aí nessa cidade. Você já tem uma clientela desesperada garantida.

4 – Creches são caras e bizarras

Sou contra creche antes dos 2 anos (a criança fica muito doente, pega uns vírus inusitados, essas coisas). Mas a necessidade sempre fala mais alto do que nossas convicções e do que as recomendações do pediatra. Então fui conhecer 4 creches aqui perto de casa. Todas caríssimas e cada uma com uma coisa mais esquisita que a outra. Uma cobrava R$ 200 reais de taxa de material “pros os bebês fazerem lembrancinhas pros pais”. Tá louca??? Meu filho tem 10 meses e não sabe nem falar “mamã” ainda. Outra, a mais cara delas, era incrívelmente limpa e branca – chão branco, parede branca, tudo emborrachado -, parecia um manicômio. E os únicos pequenos 3 metros quadrados ao ar livre tinham GRAMA SINTÉTICA. Tudo isso pela bagatela de uns R$ 1.300 pelo período de 5 horas, + uma matrícula de milão. Grama sintética deve ser caro.

5- Babá é a profissão do futuro

Pedi mil indicações. Estou em contato com 3 agências. Ainda não encontrei a candidata ideal. Nem nada perto disso. E não tô oferecendo pouco. Daqui a pouco o salário de babá ultrapassa o de jornalista. Sério mesmo. E então, você que está aí debruçado nos livros, montando sua planilha no Excel, batendo ponto na firma, fazendo hora extra na sexta-feira à noite: que tal uma recolocação profissional? A dica é quente. O Brasil tá mudando, meu povo!

6 – Mães sem grana fazem como?

Até os 5 meses do Luisinho, cuidei dele sozinha. Só eu e o Leandro, quando ele não estava viajando. Não vou dizer que foi a coisa mais fácil do mundo, mas também não foi tao level hard. Era tudo um pouco mais simples: ele não engatinhava, só mamava no peito, e eu não trabalhava. Dava pra levar sem drama. Agora, ficou realmente difícil. Me pego então imaginando como fazem as mães que não podem pagar ajuda – seja porquê moram em países onde é mais caro ainda contratar uma babá ou pagar uma creche, ou as que moram aqui mesmo, mas não tem grana pra isso. Se não tem família por perto ou pelo menos uma vizinha que possa ajudar então, ferrou. Pra quem não sabe, no Brasil, creche pública é um direito previsto em lei. Mas é um dever das prefeituras, e cada uma organiza as suas como quer e como pode*.  Aqui perto da minha casa, é só a partir de 1 ano e meio. E aí faz como? Para de trabalhar? Se vira nos 30? Leva o bebê a tira colo? Sabe-se lá. Em alguns casos, como nos das mães européias (ou das  brasileiropéias, que vira e mexe comentam aqui), a gente tenta pensar que, teoricamente,  os homens (aka pais) ajudam mais. Porquê com família longe e sem milhões pra gastar, fica difícil mesmo. Mães que se viram, vocês são minhas ídolas!

*Com informações da Bia

7- Eu amo a minha mãe e a minha sogra

Vovós queridas, eu amo vocês sempre. Mas é nesses momentos de desespero que eu mais sinto a falta de vocês aqui perto, e mais desejo que pelo menos uma das duas morasse no mesmo município que eu. Será que algum dia eu terei essa sorte? E essa foi a minha singela homenagem ao dia das avós, que foi dia 26 de julho e que passou em branco nesse blog, mas não nos nossos corações. Né, Luisinho?

Vó loira = Cecília / Vó morena = Rose

Vó loira = Cecília / Vó morena = Rose

8- Eu odeio as viagens do meu marido

Eu não posso reclamar, pq é bom pra gente. Teoricamente, teoricamente. Mas eu reclamo: pô, tá viajando demais! Vem fazer palestra aqui no berço também, que a gente sente muuuito a sua falta! Ufa, desabafei.

* O número de coisas aí no título do post não para de crescer porquê o mês não acabou e eu ainda não arrumei babá. Beijos!

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POR Gisela Blanco    |    
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