
Oi Rosie, que tal uma recolocação profissional?
Minha babá me deixou sem aviso prévio. Disse que o problema não era comigo, era com ela, que era ela quem precisava de um tempo.
Ok, menos drama: ela mora longe e tava sem ninguém pra cuidar do filho dela. Dá pra entender.
Não, não dáááá!!! Buááááááá! Snif, snif, nunca imaginei dor maior!!! Não desejo isso pra ninguém. Pior do que acabar namoro por SMS.
Mas esse sofrimento me fez ver algumas coisas. Vamos lá:
1- Trabalhar é para quem tem tempo livre
Faz papinha, lava a louça, faz almoço, coloca a roupa na máquina, tira o bebê debaixo da mesa, tira a roupa da máquina, pega o bebê no colo, passa a roupa que já secou, pendura a limpa, varre a sala, acalma o bebê chorando, arruma as roupas no quarto, passa um pano na sala, acode o bebê que caiu de boca no chão, arruma a cozinha, prepara o banho, dá almoço/jantar/frutinha, esteriliza mamadeira, troca fralda, seca o bebê, dá uma mamadeira, coloca pra dormir, vai lavar roupa delicada à mão no tanque. Não necessáriamente nessa ordem. Trabalho intelectual é pra quem pode e pra quem não está completamente exausto às 20h30 e já vai acordar logo às 2h com bebê chorando de volta. Quem não aguenta mais nada desaba no sofá e assiste a novela, que nem o indicador tem mais forças pra mudar o canal no controle remoto. Punk rock hardcore.
2- 10 meses é level hard
Ele é fofo. Ele engatinha. Ele gosta de viver perigosamente. Entre uma gargalhada e outra, o Luisinho pega TUDO o que encontrar pela frente, rasga todos os papéis, sobe em lugares inimagináveis, tem uma atração por quinas (e sagacidade pra arrancar os protetores), cai, escorrega, bate a cabeça, bate a boca, bate tudo. Pelos meus calculos, seriam necessárias mais ou menos umas 3 a 4 pessoas por vez pra tomar conta de um bebê e da casa de forma decente. Imagine eu sozinha.
3- Existe delivery de papinha
Ok, nem tudo está perdido. Ontem, depois de queimar um panelão de papinha (fui só dar uma olhadinha nos e-mails, pôxa…), dei uma googleada e achei o Empório da Papinha. Liguei assim: “AlÔ? É UMA EMERGÊNCIA! Vocês entregam papinha em casa?”, “Entregamos!”, “Opa, manda logo 10!”. E 2 horas depois as papinhas estavam aqui, bonitinhas. E são uma delícia! Recomendo fortemente a de frango com agrião (mas se for pra você, pede uns 3 potinhos, que essas porções pra bebê são muito pequenas! hehe). Ah, se eu soubesse antes, tinha me poupado uns bons fios de cabelo e muitas horas de lavação de louça. Então pra quem é de São Paulo, #ficaadica. E pra quem não é, #ficaoutradicamelhorainda, que é a de contratar uma cozinheira e fazer um delivery desses aí nessa cidade. Você já tem uma clientela desesperada garantida.
4 – Creches são caras e bizarras
Sou contra creche antes dos 2 anos (a criança fica muito doente, pega uns vírus inusitados, essas coisas). Mas a necessidade sempre fala mais alto do que nossas convicções e do que as recomendações do pediatra. Então fui conhecer 4 creches aqui perto de casa. Todas caríssimas e cada uma com uma coisa mais esquisita que a outra. Uma cobrava R$ 200 reais de taxa de material “pros os bebês fazerem lembrancinhas pros pais”. Tá louca??? Meu filho tem 10 meses e não sabe nem falar “mamã” ainda. Outra, a mais cara delas, era incrívelmente limpa e branca – chão branco, parede branca, tudo emborrachado -, parecia um manicômio. E os únicos pequenos 3 metros quadrados ao ar livre tinham GRAMA SINTÉTICA. Tudo isso pela bagatela de uns R$ 1.300 pelo período de 5 horas, + uma matrícula de milão. Grama sintética deve ser caro.
5- Babá é a profissão do futuro
Pedi mil indicações. Estou em contato com 3 agências. Ainda não encontrei a candidata ideal. Nem nada perto disso. E não tô oferecendo pouco. Daqui a pouco o salário de babá ultrapassa o de jornalista. Sério mesmo. E então, você que está aí debruçado nos livros, montando sua planilha no Excel, batendo ponto na firma, fazendo hora extra na sexta-feira à noite: que tal uma recolocação profissional? A dica é quente. O Brasil tá mudando, meu povo!
6 – Mães sem grana fazem como?
Até os 5 meses do Luisinho, cuidei dele sozinha. Só eu e o Leandro, quando ele não estava viajando. Não vou dizer que foi a coisa mais fácil do mundo, mas também não foi tao level hard. Era tudo um pouco mais simples: ele não engatinhava, só mamava no peito, e eu não trabalhava. Dava pra levar sem drama. Agora, ficou realmente difícil. Me pego então imaginando como fazem as mães que não podem pagar ajuda – seja porquê moram em países onde é mais caro ainda contratar uma babá ou pagar uma creche, ou as que moram aqui mesmo, mas não tem grana pra isso. Se não tem família por perto ou pelo menos uma vizinha que possa ajudar então, ferrou. Pra quem não sabe, no Brasil, creche pública é um direito previsto em lei. Mas é um dever das prefeituras, e cada uma organiza as suas como quer e como pode*. Aqui perto da minha casa, é só a partir de 1 ano e meio. E aí faz como? Para de trabalhar? Se vira nos 30? Leva o bebê a tira colo? Sabe-se lá. Em alguns casos, como nos das mães européias (ou das brasileiropéias, que vira e mexe comentam aqui), a gente tenta pensar que, teoricamente, os homens (aka pais) ajudam mais. Porquê com família longe e sem milhões pra gastar, fica difícil mesmo. Mães que se viram, vocês são minhas ídolas!
*Com informações da Bia
7- Eu amo a minha mãe e a minha sogra
Vovós queridas, eu amo vocês sempre. Mas é nesses momentos de desespero que eu mais sinto a falta de vocês aqui perto, e mais desejo que pelo menos uma das duas morasse no mesmo município que eu. Será que algum dia eu terei essa sorte? E essa foi a minha singela homenagem ao dia das avós, que foi dia 26 de julho e que passou em branco nesse blog, mas não nos nossos corações. Né, Luisinho?

Vó loira = Cecília / Vó morena = Rose
8- Eu odeio as viagens do meu marido
Eu não posso reclamar, pq é bom pra gente. Teoricamente, teoricamente. Mas eu reclamo: pô, tá viajando demais! Vem fazer palestra aqui no berço também, que a gente sente muuuito a sua falta! Ufa, desabafei.
* O número de coisas aí no título do post não para de crescer porquê o mês não acabou e eu ainda não arrumei babá. Beijos!