Antes de ter meu bebê, ouvia várias pessoas dizendo que achavam horrível quando uma mãe tirava o peitão de fora e amamentava o filho em qualquer lugar. Eu mesma cheguei a pensar que se fosse amamentar, procuraria sempre um lugar reservado pra isso.
BABAQUICE! Amamentar um bebê é a coisa mais simples, natural e prática do mundo. É colocar o peitão de fora e amamentar mesmo, pronto, sem frescuras. Não tem nada de sexual nisso, e quem achar feio ou inapropriado, que olhe pro lado. Afinal, a principal função dos peitos é essa: produzir comida. A gente se acostuma tanto com um mundo clean, produzido e maquiado, que às vezes esquece que é ser humano. E ser humano pequenininho mama. E não tem paciência pra esperar explicações, chegar numa enfermaria ou no “espaço da mamãe” do shopping. Tem que comer aqui agora e pronto ou abre um berreiro federal (quem não chora não mama, lembra? todo mundo sabe disso).
Um dia desses, fazendo uma matéria sobre amamentação, perguntei pra uma professora da USP especialista em nutrição infantil porquê os bebês precisam tanto de leite. Ela foi bem obejtiva: “Porquê eles são mamíferos“. Achei a resposta matadora e fiquei me sentindo meio idiota ao mesmo tempo. É óbvio, né.
No início, pras mulheres, a mudança de paradigma é tão grande (pouca gente conhecia
meus peitos até então – agora todo mundo já viu, incluindo os meus amigos e os do meu marido), que a gente até fica meio sem graça. Eu costumo dizer que agora já tenho habilidade pra ser destaque em escola de samba. Mas piadas à parte, é bom lembrar que a recomendação da OMS é pra que a gente amamente exclusivamente no peito por no mínimo 6 meses, em qualquer lugar, a qualquer hora. Em menos de 1 mês, eu perdi toda a vergonha e passei a amamentar o Luisinho em qualquer lugar, em qualquer condição de temperatura e pressão. E qualquer mulher que não queira ficar presa em casa por metade de um ano, tem que fazer o mesmo. E a sociedade tem que aceitar isso e pronto. Não tem espaço pra discussão aqui. Há pouco tempo, o Facebook andou deletando fotos que as mães colocaram amamentando seus filhos nos seus perfis. Agora, tem gente por aí querendo proibir as mesmas cenas em público.
No final de março, a Antropologa Marina Barão foi impedida de amamentar seu bebê de 2 meses no Itaú Cultural, em São Paulo. Ela estava lá pra assistir uma exposição e uma segurança a repreendeu, dizendo que lá não podia, tinha que ser na enfermaria e blá blá blá. Nessa quinta-feira, várias mãe se reuniram na frente do prédio, na Avenida Paulista, pra fazer um protesto contra qualquer tipo de reprimenda ao aleitamento – o mamaço coletivo. Aqui um manifesto no blog da Lia Miranda.
Não consegui me organizar para ir lá a tempo, mas apoio a iniciativa. Imagino bem como a Marina deve ter se sentido. Há umas 2 semanas, fui impedida de entrar nas salas de exposição do Centro Cultural Banco do Brasil, aqui no centro de São Paulo, com o Luisinho no carrinho de bebê. Os seguranças alegavam que a exposição – do M.C. Escher – estava lotada demais e o carrinho poderia provocar algum acidente, esbarrar em alguém. Perigo terrível, né. Desculpinha esfarrapada pra uma restrição sem motivo. Fiquei indignada, chiei, reclamei. Mas no fim, não adianta muito ir contra os seguranças que seguem ordens do patrão.
Me prometi que ia chegar em casa e escrever uma boa reclamação pra diretoria do CCBB, um artigo pra Folha contra o preconceito a mães e bebês, um post pra esse blog. Mas foram 2 semanas muito corridas e a promessa se dissolveu na falta de tempo. Agora, aproveito o gancho pra gritar aqui: mães e seus bebês tem o direito de circular livremente em qualquer lugar.
Tudo bem que as pessoas queiram ter menos filhos hoje em dia. Mas que eu saiba, ainda não virou crime ter um bebê. E é muito saudável que a gente queira continuar tendo vida depois de parir, levando o filho pra todo lugar com a gente. Eu não vou parar de frequentar exposições porquê sou mãe. Não vou parar de ir a restaurantes porquê sou mãe. Não vou parar de andar na rua porquê sou mãe. Eu vou continuar fazendo tudo o que eu fazia antes, e o meu bebê vai junto comigo, feliz e contente, mamando e com carrinho!
p.s.: É bom saber que esse preconceito contra amamentação não é exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, em vários estados amamentar em público pode ser considerado um tipo de atentado ao pudor. Não é à toa que por lá, menos de 15% das mães continuam amamentando com exclusividade até o 6o mês de vida do bebê.
Segundo a Cátia, mãe do Lukas e da Manu, na Dinamarca também rola um certo preconceito, mas ninguém é proibida de amamentar em lugar nenhum. Ela mandou uma foto ótima de uma mãe muito bem-humorada amamentando com uma toquinha em forma de peito na cabecinha do bebê. Adorei a ideia. Alguém aí sabe tricotar? =D




