12 de maio de 2011

Ser mãe em público

Antes de ter meu bebê, ouvia várias pessoas dizendo que achavam horrível quando uma mãe tirava o peitão de fora e amamentava o filho em qualquer lugar. Eu mesma cheguei a pensar que se fosse amamentar, procuraria sempre um lugar reservado pra isso.

BABAQUICE! Amamentar um bebê é a coisa mais simples, natural e prática do mundo. É colocar o peitão de fora e amamentar mesmo, pronto, sem frescuras. Não tem nada de sexual nisso, e quem achar feio ou inapropriado, que olhe pro lado. Afinal, a principal função dos peitos é essa: produzir comida. A gente se acostuma tanto com um mundo clean, produzido e maquiado, que às vezes esquece que é ser humano. E ser humano pequenininho mama. E não tem paciência pra esperar explicações, chegar numa enfermaria ou no “espaço da mamãe” do shopping. Tem que comer aqui agora e pronto ou abre um berreiro federal (quem não chora não mama, lembra? todo mundo sabe disso).

Um dia desses, fazendo uma matéria sobre amamentação, perguntei pra uma professora da USP especialista em nutrição infantil porquê os bebês precisam tanto de leite. Ela foi bem obejtiva: “Porquê eles são mamíferos“. Achei a resposta matadora e fiquei me sentindo meio idiota ao mesmo tempo. É óbvio, né.

No início, pras mulheres, a mudança de paradigma é tão grande (pouca gente conhecia

meus peitos até então – agora todo mundo já viu, incluindo os meus amigos e os do meu marido), que a gente até fica meio sem graça. Eu costumo dizer que agora já tenho habilidade pra ser destaque em escola de samba. Mas piadas à parte, é bom lembrar que a recomendação da OMS é pra que a gente amamente exclusivamente no peito por no mínimo 6 meses, em qualquer lugar, a qualquer hora. Em menos de 1 mês, eu perdi toda a vergonha e passei a amamentar o Luisinho em qualquer lugar, em qualquer condição de temperatura e pressão. E qualquer mulher que não queira ficar presa em casa por metade de um ano, tem que fazer o mesmo. E a sociedade tem que aceitar isso e pronto. Não tem espaço pra discussão aqui. Há pouco tempo, o Facebook andou deletando fotos que as mães colocaram amamentando seus filhos nos seus perfis. Agora, tem gente por aí querendo proibir as mesmas cenas em público.

No final de março, a Antropologa Marina Barão foi impedida de amamentar seu bebê de 2 meses no Itaú Cultural, em São Paulo. Ela estava lá pra assistir uma exposição e uma segurança a repreendeu, dizendo que lá não podia, tinha que ser na enfermaria e blá blá blá. Nessa quinta-feira, várias mãe se reuniram na frente do prédio, na Avenida Paulista, pra fazer um protesto contra qualquer tipo de reprimenda ao aleitamento – o mamaço coletivo. Aqui um manifesto no blog da Lia Miranda.

Não consegui me organizar para ir lá a tempo, mas apoio a iniciativa. Imagino bem como a Marina deve ter se sentido. Há umas 2 semanas, fui impedida de entrar nas salas de exposição do Centro Cultural Banco do Brasil, aqui no centro de São Paulo, com o Luisinho no carrinho de bebê. Os seguranças alegavam que a exposição – do M.C. Escher – estava lotada demais e o carrinho poderia provocar algum acidente, esbarrar em alguém. Perigo terrível, né. Desculpinha esfarrapada pra uma restrição sem motivo. Fiquei indignada, chiei, reclamei. Mas no fim, não adianta muito ir contra os seguranças que seguem ordens do patrão.

Me prometi que ia chegar em casa e escrever uma boa reclamação pra diretoria do CCBB, um artigo pra Folha contra o preconceito a mães e bebês, um post pra esse blog. Mas foram 2 semanas muito corridas e a promessa se dissolveu na falta de tempo. Agora, aproveito o gancho pra gritar aqui: mães e seus bebês tem o direito de circular livremente em qualquer lugar.

Tudo bem que as pessoas queiram ter menos filhos hoje em dia. Mas que eu saiba, ainda não virou crime ter um bebê. E é muito saudável que a gente queira continuar tendo vida depois de parir, levando o filho pra todo lugar com a gente. Eu não vou parar de frequentar exposições porquê sou mãe. Não vou parar de ir a restaurantes porquê sou mãe. Não vou parar de andar na rua porquê sou mãe. Eu vou continuar fazendo tudo o que eu fazia antes, e o meu bebê vai junto comigo, feliz e contente, mamando e com carrinho!

p.s.: É bom saber que esse preconceito contra amamentação não é exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, em vários estados amamentar em público pode ser considerado um tipo de atentado ao pudor. Não é à toa que por lá, menos de 15% das mães continuam amamentando com exclusividade até o 6o mês de vida do bebê.

Segundo a Cátia, mãe do Lukas e da Manu, na Dinamarca também rola um certo preconceito, mas ninguém é proibida de amamentar em lugar nenhum. Ela mandou uma foto ótima de uma mãe muito bem-humorada amamentando com uma toquinha em forma de peito na cabecinha do bebê. Adorei a ideia. Alguém aí sabe tricotar? =D

15 de fevereiro de 2011

Mãe canguru 2.0

Uma típica mãe com seu gadgetzinho

Uma mãe geek normalmente quer precisa ter as mãos livres enquanto cuida do seu bebê. Afinal, são as amigas direita e esquerda que você vai usar para brincar no seu smatphone, usar um reader, mandar um e-mail ou dar uma blogadinha, jogar videogame… essas coisas essenciais do nosso dia-a-dia que a gente deixa de lado assim que o bebê sai de dentro da barriga.

E então a mãe geek descobre os carregadores e estrelinhas passam a cintilar novamente em nosso céu eletrônico.

No começo eu tinha um certo preconceito. Achava esses carregadores de bebês uma coisa muito hippie. O que combinava comigo deveria ser mesmo um carrinho bem cheio de frescura, com umas rodas bem grandes, amortecedor, cintos de segurança e, se eu tivesse direito, até motor.

Então eu comprei o carrinho mais bem equipado que eu consegui encontrar pela Amazon, mas ele nunca chegou. E aí eu decidi que era hora de deixar meus preconceitos de lado e mergulhar no mundo dos slings. Não foi fácil aprender a usá-los (e até hoje me enrolo um pouco com eles – literalmente), mas foi só pegar um pouco de prática pra começar a amar.

Já me perguntaram se isso é coisa de índio, de que tribo é, se eu virei hippie coisa e tal. A resposta é não para todas as anteriores (tribo? sei lá), mas acho mesmo que é coisa de americano. Quando você digita “sling” no youtube aparece uma profusão de vídeos gringos ensinando a usar os tecidinhos.

Nos dias que eu quero realmente ser prática (tipo em passeios muito longos, de ônibus, metrô etc), coloco o Luisinho num wrap, uma mochilinha nas costas com as coisas dele e a carteira e o celular nos bolsos da calça jeans, pra ficarem bem acessíveis. Estamos prontos para qualquer parada, mermão!

Pra quem não entende nada desse mundo (que nem eu há muitíssimo pouco tempo), aqui vai uma breve explicação dos tipos de slings que eu uso:

Luisinho numa boa

* Sling de argola – É o mais comum. Tenho um de lycra que usei para sair da maternidade (presente da minha querida prima Mavi) e outro de algodão, que comprei no Mercado Livre. O de algodão é melhor para o verão e evita o efeito iôiô para bebês pesados – quando você coloca o bebê no tecido e ele afunda. É bem fácil de usar: é só passar o tecido pela argola e vumbora. Perfeitos para amamentar, já que o bebê deitadinho nele fica de cara com o seu peito. Só tem um defeito: ficam apoiados em um ombro só, e aí se você não troca de ombro o tempo todo, dá uma dor… Um dia cheguei em casa com uma dorzona dessas, e aí xinguei muito no Twitter. Foi então que a Cátia me apresentou o maravilhoso mundo dos…

Rolinho primavera já saiu de moda

* Wraps – Que são simplesmente uns tecidos enormes, de 5 metros de comprimento por
meio de largura. O lance todo é aprender a amarrá-los e dar bons nós pra que eles fiquem bem presos e o bebê seguro. Ele se apoia nos dois ombros e na cintura, então o peso fica bem distribuido pelo corpo e a mamãe evita uma lordose, escoliose etc (na medida do possível, porquê é impossível mãe não ter várias dessas aí). A Cátia me mandou 2 – um de tecido elástico e outro de um tecido que parece de rede, ótimo para quando o inverno chegar. No momento estou usando mais o elástico, que pro wrap achei melhor do que pro sling. Ainda não sei onde são vendidos aqui no Brasil (alguma dica?), mas de qualquer forma, são bem fáceis de se fazer em casa mesmo – ou com a sua costureira favorita. São mais difíceis de aprender a usar, mas uma vez que você aprende é… paixão.

O meu filhotinho, que é viciado num colinho, adora andar por aí grudado em mim. Dorme no tecido, mama, passeia olhando pra rua, com a cara pra mim, perninhas pra fora, perninhas pra dentro e em frente e avante! As mãos ficam livres e a gente também se sente mais independente. Como vocês podem ver no post aí embaixo, já aprendi até a jogar videogame com o Luisinho amarrado em mim. Depois dessa, aposto que ninguém duvida da utilidade dos carregadores.

Vale a pena, principalmente pra quem mora em cidades como São Paulo, cheias de subidas, descidas e calçadas horrendas, onde andar com carrinho é meio assim:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=W57hxZPzcpc&w=480&h=390]

Hum… mas pensando bem, no caso dela, não sei se um sling resolveria.

Atualizando: recebi um comentário da Bruna, que tem uma loja chamada Kika de Pano. Ela vende wrap no Brasil e manda para qualquer cidade. Fica a dica!