23 de fevereiro de 2011

Mamãe não quer trabalhar

É oficial: interrompi a minha licença-maternidade antes dos 6 meses recomendados pelo Ministério da Saúde (mas não pelo Ministério do Trabalho) e voltei a frilar.

E olha… não vou mentir não, tá difícil.

Sempre fui uma daquelas pessoas meio indecisas, que gosta de fazer muita coisa ao mesmo tempo, mas com uma enorme dificuldade de escolher uma só pra me dedicar e fazer bem feito. Eis que uns 5 meses atrás tudo mudou: surgiu uma coisinha a que eu posso me dedicar sem medo de ser feliz e da qual eu tenho certeza que não vou me cansar nunca.

Meu novo objetivo de vida ficou claro: ter um monte de filhos, e depois netos, fazer cursos, viajar, ter mil amigos. Igualzinho à minha avó Elna, a bisa geek daquele post alí embaixo. Enfim, uma vida bem vivida com uma família enorme. Sem muitas cobranças, arrependimentos e angustias. Passando a maior quantidade de tempo possível perto de quem eu amo. Cuidando e recebendo carinho. O emocional à frente do profissional.

Afinal, o que é mais importante nesse mundo?

Mas não, as mulheres de hoje não tem mais coragem de largar a profissão para ficar com os filhos. Nem mesmo quando podem (marido apoiando e tal). Eu não tenho. Você teria?

Outro dia conheci uma mãe de uma menininha de 3 anos numa lanchonete e em pouco tempo de conversa ela me confessou que não queria mais trabalhar. Foi se candidatar a um emprego e o entrevistador perguntou: “qual é o seu objetivo de vida?”. Logo veio à cabeça: “passar o máximo de tempo com a minha filha”. Mas o que ela disse foi: “uma casa na praia”.

Fico imaginando quantas mulheres por aí não sentem o mesmo e não tem coragem de dizer nem mesmo pros maridos. Somos vitimas da nossa própria luta feminista. Nos libertamos dos homens, mas agora somos escravas do trabalho. Ao contrário das nossas avós, desde pequenas somos treinadas pra não depender desses caras com quem a gente acidentalmente se casa. E se acontece de precisamos mesmo da ajuda deles, principalmente financeira, ficamos desesperadas.

Deixar o trabalho de lado pra cuidar dos filhos?

Nem pensar. Imagine o que a sua mãe iria dizer? A minha certamente não aprovaria. Afinal, ela trabalhou tanto pra que eu pudesse estudar e ser independente…

Your ads will be inserted here by

Easy AdSense.

Please go to the plugin admin page to paste your ad code.

De fato, sabemos muito bem os riscos que as mulheres correm quando passam a cuidar dos filhos e da casa. De ficar fora do mercado de trabalho, de perder a independência financeira, de se tornarem menos provedoras do que os homens (ou nada provedoras), de ficarem sem assunto na mesa de bar.

Eu, por exemplo, que nem sou workaholic (sim, moro em São Paulo e tenho coragem de admitir isso), e tiro férias muito melhor do que trabalho, sinto uma baita falta de ver um dinheirinho caindo na minha conta corrente. E o medo de ficar pra trás no mercado? Ver o pessoal evoluindo na carreira e eu nada. Ficar parada no tempo, que nem um dinossauro. Creda. É apavorante.

Socorro.

Lá se vão uns 30 anos da revolução feminista e aqui estamos nós ainda lutando para equilibrar nossas responsabilidades. O mercado de trabalho sacaneia a gente? Verdade. Ainda temos que lutar pra ganhar salários equivalentes aos deles? Muito. Eleger presidente mulher não significa muita coisa? Necas.

Mas quando o medo de não trabalhar se sobrepõe à vontade real da mulher…  é um saco. A pressão é tão grande, por todos os lados (principalmente a que vem de dentro de mim) que não dá pra resistir. E a gente pega no batente quando tudo o que queria era ficar lambendo a cria o dia inteiro.

É claro que eu não quero passar a vida inteira APENAS cuidando do meu filho. Porque ninguém aqui quer passar o tempo todo fazendo uma coisa só. Mas se você me perguntar hoje qual é a minha coisa preferida nesse mundo, tchan nan, a resposta é bem fácil.

Ainda quero trabalhar e estudar muito, aprender coisas sensacionais, influenciar os rumos do mundo, quem sabe escrever livros de sucesso, ganhar dinheiro o bastante pra comprar um veleiro. Só que nada disso me parece agora realmente mais importante do que ficar com o meu bebê. Às vezes quando eu olho pro meu bebê, me faço a seguinte pergunta: “o que é que eu tava fazendo antes mesmo?”.

Será que é instinto?

Uma amiga que tem uma filha de 4 anos me disse que essa sensação é algo passageiro, um mecanismo natural pra que a gente cuide bem dos filhos. E que depois de um tempo, a mulherada fica morrendo de vontade de fazer qualquer outra coisa. Talvez ela tenha razão e daqui a pouco eu fique desesperada pra trabalhar fora. E pra ter mais assunto pra mesa de bar, além de fraldas e brinquedos e tal.

Peço sinceras desculpas às feministas que lutaram tanto pela minha libertação, mas o trabalho delas não está completo. Ainda temos que lutar pela coragem de admitir o que realmente queremos, sem medo do estigma da dona de casa vazia e anulada. Ser obrigada a ficar em casa não era terrível. Mas ser obrigada a trabalhar também é um porre.

Quem é que me responde: quando é que a gente vai realmente poder escolher?

Eu sei que não é assim para toda mulher. Mas para mim, até agora, ter filhos tem se mostrado bem mais divertido do que trabalhar. E quem é mãe sabe: os pequenos, ao modo deles, já dão o maior trabalhão. Licença-maternidade não é nenhuma mamata: a gente não dorme direito, passa o dia inteiro por conta deles. Quando eles sossegam, corre pra lavar roupas, limpar a bagunça, fazer a comida. Nada de folga. Mas é o trabalho mais legal do mundo. E sim, paga-se muito, mas muito bem (com sorrisinhos, carinho e fofura… que não enchem a conta bancária mas dão uma felicidade…).

14 de dezembro de 2010

Lar, doce lar

Finalmente conseguimos nos mudar!
Prometo que nunca mais vou reclamar que mudança dá trabalho se não tiver um bebê de 2 meses no meio dela. Ufa!
Depois de uma semana de caos, já conseguimos ajeitar bastante coisa e estamos curtindo nosso novo apartamento. Ele tem mais espaço, é iluminado, bem ventilado, bonito e… é nosso!
O quarto do Luisinho é azul e tem bichinhos coloridos na parede. E como é onde eu agora passo a maior parte do tempo, tem também o meu computador completando a decoração.
As fotos eu vou ficar devendo, já que os cabos USB dessa casa ainda estão escondidos em alguma caixa por aqui então por enquanto as nossas fotos ainda moram dentro da câmera…