26 de julho de 2012

Como fazer o seu filho comer – quando você já está quase pirando de tanto tentar

Não, esse não é o Luisinho. Ainda não chegamos a esse ponto. Ainda.

Não que eu saiba de verdade. Tem sido um grande exercício de criatividade fazer o Luisinho comer ultimamente. Ainda mais depois que ele entrou na fase do viking bêbado – brinca com a comida, joga na parede e esfrega no cabelo antes de comer (não que eu permita isso). Bom, depois de alguns meses de batalha gastronômica aqui em casa, resolvi montar uma lista com as melhores dicas que eu encontrei por aí, com as que me deram essa semana no Facebook, e com as coisas que eu já tentei intuitivamente. Nem todas funcionaram, mas algumas renderam momentos divertidos… =)

Aqui vai então uma lista com 16 dicas que usei para tentar fazer meu filho comer, em ordem das mais tentadas recentemente (as mais básicas, para os menorzinhos, está lá no meio!):

1 – Deixe que ele coma sozinho. Algumas crianças são tão independentes que não aceitam você tentar colocar a colher em sua boquinha. O Luisinho é assim. Não que ele tenha coordenação motora o bastante, do alto dos seus 1 ano e 9 meses, mas eu deixo que ele coma sozinho mesmo assim. Já desencanei de tentar refeições com pouca sujeira. Sim, tem dias em que a minha cozinha fica parecendo que eu joguei todo o conteúdo da geladeira num ventilador. O jeito é respirar fundo, dar a comida em um prato de plástico, vestir sua máscara anti-arroz voador e rezar para que a bagunça não seja tão grande. Para minimizar danos, eu também costumo usar um babador como esse aqui, que é de plástico e tem depósito para a comida:


2 – Deixe que ele brinque com a comida. Talvez eu perca a minha carteirinha do clube de mães do ano por causa disso, mas eu deixo mesmo. Da primeira vez que eu vi o Luisinho virando o prato e pintando a mesa e as paredes com a sopa como se fosse tinta guache, fiquei desesperada. Mas aí depois percebi vi que ele catava as cenouras, o frango e a ervilha e ia comendo tu-di-nho. Então instituí como regra que o que está na mesa pode ser comido e o que foi parar no chão e nas paredes não vale. É uma medida desesperada? Sim, é. Alguém aí ficou horrorizado? Certamente. Mas parece divertido pra ele e faz parte da fase de viking bêbado por que ele está passando.

3 – Leve para comer com um amiguinho. Não é uma dica para todo dia, a não ser que você seja a pessoa mais sociável do mundo ou viva numa comunidade hippie. Mas quando der, pode ser uma boa. Ver outras crianças comendo torna o momento mais divertido pra eles. O que pode significar também guerra de comida e bagunça em dobro. Mas com a gente funciona super bem. De tanto que eu tenho levado o Luisinho para jantar com a vizinha (que tem a mesma idade), já somos quase uma comunidade hippie. Mas isso só porque amo meus vizinhos, que são os mais legais do mundo (muuuah! :) ).

4 – Mude o recipiente.
Eu nunca imaginei que isso fizesse diferença para um bebê, mas quando experimentei uma vez colocar o arroz e o feijão dentro de uma CANECA, ele comeu tudo que antes estava no prato e não queria comer. Vai entender. Outro dia coloquei bife de fígado numas panelinhas de brinquedo e ele traçou tudo.

5 – Dê a comida num lugar diferente.
Hoje, por exemplo, depois de meia hora no cadeirão se recusando a comer, o Luisinho se enfiou atrás de uma fruteira. A babá foi até lá com o prato e aí milagrosamente ele começou a comer tudo – se ela passasse a colher por entre as grades, cada vez em uma prateleira diferente. Se você não tiver uma fruteira tão legal quanto a minha (hohoho), tente um parquinho ao ar livre, a varanda, o quarto dele…

6 – Ligue a TV. Todo mundo sabe que não se deve fazer isso, mas todo mundo faz e pronto. Nem sempre a gente tem tempo e paciência e a pedagogia necessária, então precisamos ser práticos. Acho super válido. Mas não faço aqui em casa. Poderia dizer que sou filosóficamente contra, que é um absurdo alienação-mídias-do-mal e blá blá. Mas a verdade é que a mesa da cozinha fica longe da TV e eu morro de preguiça de ficar depois catando arroz do sofá, por isso uso muito pouco esse recurso.

7 – Mantenha uma rotina. Dê as refeições sempre nos mesmos horários e delete os lanchinhos fora de hora. Eu juro que tento fazer isso, na medida do possível. Considero a rotina superimportante pros bebês. Pena que a rotina não gosta de mim. Eu tento segui-la, mas ela foge de mim… mas sério, mesmo seguindo uma quase rotina às vezes ele não come.

8 – Se ele pular uma refeição, deixe com fome esperando pela próxima.
Não sei se eu sou a mãe mais molenga do planeta, mas EU NÃO CONSIGO! Deve ser algo instintivo, sei lá, mas se eu sei que o gurizinho tá com fome e não come há muito tempo (tipo mais de 4 horas), dou qualquer coisa que tape o buraco do estômago – leite, suco, frutas. A minha regra é só nunca dar bobagens muito bobas nessas ocasiões, do tipo bolacha ou doce. Talvez eu esteja denunciando aqui o meu mais profundo erro materno, mas é isso. Não consigo saber que ele está sem comer e deixar com fome até a próxima refeição.

9 – Tente cantar uma musiquinha, faça caretas, pule, rodopie. Tudo isso já funcionou em algum momento aqui em casa. Agora eu posso fazer um espetáculo de stand-up comedy inteiro que não adianta.

10 – Faça aviãozinho.
Depois caminhão, trator, navio, espaçonave… algum da frota pode ser que funcione. A dica mais clichê do universo funcionou aqui em casa mais ou menos durante só 1 semana. Mas foi uma linda e fácil semana.

11 – Use apetrechos divertidos, como esse babador e colher aqui embaixo. Ninguém garante que o seu filho vai querer comer – o mais provável é que ele queira brincar – mas pelo menos o seu mal-humor já melhora um pouquinho.

12 – Mude a forma de cozinhar as refeições. Tem criança que gosta de cenoura crua, mas não gosta cozida. E por aí vai. Como você vai saber do que ele gosta se o pequeno ainda não sabe falar direito? Tente, tente, tente. Você é um ser incansável (ahn-han).

13 – Mude a temperatura da comida. Essa dica é quente! Ou fria. Tente dos dois jeitos, que algum ele pode curtir mais do que o outro.

14 – Dê coisas que ele gosta de comer. Eu já disse pro Luisinho que essa coisas de crianças que rejeitam verduras era um grande clichê, que eles não estava sendo nada original. Mas não funcionou. E ai, eu que era terminantemente contra dar macarrão durante a semana, comecei a liberar mais vezes, depois que eu vi o tanto que ele AMA massas. E aí o que faço para minimizar os danos é comprar massas integrais, misturar um verdinho no meio, que ele come por tabela… esses truques que você já deve saber. Mas sempre com o cuidado também de não dar SEMPRE, porque se não… Super Size Baby.

15 – Dê frutas para abrir o apetite. Eu sempre evitei dar frutas logo antes das refeições, porque achei que isso fosse encher a barriga dele e ocupar o espaço destinado ao arroz-com-feijão. Mas depois da dica da Sharon, deixei o Luisinho comer uma pêra que ele mesmo catou na fruteira outro dia antes do jantar. Qual não foi a minha surpresa quando ele devorou um pratão de sopa depois!

16 – Mude a apresentação da comida.
Servir um prato mais colorido pode deixá-lo mais interessado. Percebi isso quando o Luisinho começou a se interessar pelo jantar da nossa vizinha, que tinha exatamente as mesmas coisas que eu coloco no dele, mas de um jeito diferente (o dele era sopa, o dela vinha com tudo separadinho). Aqui entram também aqueles truques de fazer desenhos no prato, criar personagens, desenhar. O efeito colateral é que ele pode querer brincar mais ainda com a comida. Ou seja, vai rolar guerra de comida de qualquer jeito, mas pelo menos ela será mais mais divertida.

11 de maio de 2011

Notícias do berço

Impressionante como um bebê muda entre os 6 e 7 meses de vida. Não que eles cresçam ou engordem assustadoramente. Mas novas habilidades (tantas, tantas!) capazes de assustar qualquer mãe de primeira viagem. É claro que sempre de um jeito bom =)

No último mês, o Luisinho…

sentado e com cobertura!

Aprendeu a sentar. Pode parecer uma habilidade meio besta, mas é um avanço incrível na vida de um bebê. Imagine ficar lá todo dia deitadão, curtindo no máximo as variações costas/bruços/de ladinho. Chato, né? Pois agora o meu filhote pode brincar sentadinho – e de vez em quando levar uns baita tombos caindo pra trás ou pra frente.

Mas ele só aprendeu a sentar. Não aprendeu a se sentar. Quando deitado, fica fazendo uns super abdominais pra tentar levantar (tipo pilates, sabe?). Aí eu e o sr. papai sempre vamos lá e damos uma ajudinha. Fazemos mal? Parece que ele teria que ficar de bruços pra conseguir se sentar sozinho. O problema: ele odeia ficar de bruços.

Aprendeu a ficar em pé no berço. Ele ainda não tem toda essa força pra se levantar sozinho, mas pede ajuda com os bracinhos (sim, é bem fofo) e se segura forte quando o colocamos perto da grade. E fica muito, mas muuuito feliz. Aliás, ele só não senta mais porquê curte mais é ficar em pé mesmo. Já engatinhar… nada. Nem uma tentativazinha. Já me disseram que tem bebês que não engatinham mesmo, já começam a andar direto (mais tarde, claro). Até agora não consegui achar isso muito ruim. Mas ficam as dúvidas: será que tá mesmo tudo bem assim? Engatinhar é preciso? Ainda é cedo pra eu me preocupar com isso?

BETERRABAAA!!!

Aprendeu a comer. Agora pra valer. Abre a boca quando vê a colher cheia, essas coisas de gente grande. Passamos uns perrengues aqui com ele por umas 2 semanas – ele só queria mamar e, no máximo, comer melão. Pra papinha salgada não abria a boca de jeito nenhum. Fiz a papinha do jeitinho que a pediatra mandou. Tentei várias técnicas pra fazer o bebê abrir a boca. A principal delas era pedir pra alguém ficar na frente dele (o pai, claro) fazendo mil palhaçadas. E aí quando ele abria a

Pode comer o prato também?

boca pra dar aquela gargalhada, pluft, mamãe enfiava a comida lá dentro. Até que funcionou algumas vezes, mas tem dois probleminhas: os pais cansam e há sérios riscos de engasgo.

Até que descobri o motivo principal porquê ele não queria comer: minha comida era ruim pra caramba. Foi só a babá fazer uma mais gostosinha (com cebola, cheiro verde, esses toquinhos gourmet) e pronto, comeu. Fácil assim. Agora o bebê bate um pratão todo dia no almoço e outro no jantar.

22 de março de 2011

Do mamá ao mamão

Senhoras e senhores, hoje foi um dia importante na vida de um bebê. Não, não tem nada a ver com a vinda do Obama. Hoje o meu mamão (bebê que mama muito) comeu mamão (a fruta). Foi a primeira vez que ele comeu/tomou/engoliu algo que não fosse leite materno (ou baba). Pelo menos que eu saiba.

A minha intenção era amamentar o Luisinho exclusivamente com leite materno até os 6 meses (faltam 8 dias). Mas o pai participativo (e a avó, e a outra avó, e as tias, e o mundo inteiro) armaram um complô contra os meus peitos insistiram muito pra que ele começasse a comer logo.

E então eu cedi. Achei que os ciumes daquela tigela de mamão amassado acabariam comigo. Nunca imaginei que pudesse ser trocada por uma fruta. E ainda por cima amassada. Mas para a minha pequena alegria, o Luisinho fez cara feia pro mamão (pros meus peitos ele nunca fez, que fique claro). Deu umas cuspidinhas até, mas meio a contragosto e a título de curiosidade, acabou comendo o prato inteiro. O pai foi embora trabalhar satisfeito depois de ter dado a primeira papinha ao rebento e constatar: sim, ele come.

E a mãe, secretamente (agora não mais tão secretamente) se encheu de felicidade quando, apenas 1 hora depois, o bebê implorou loucamente por uma mamadinha. Hehe.

E aí, mamão, vai encarar? =P

12 de novembro de 2010

Alô, seu Ministro?*

Ontem fui abrir umas embalagens de mamadeiras e percebi que todas elas tem o seguinte aviso: “O Ministério da Saúde adverte: A criança que mama no peito não necessita de mamadeira, bico ou chupeta.”

Daí peguei o telefone e resolvi ligar para um certo numero de telefone lá em Brasília. O (61) 3315-2351.

Trim. Trim. Trrrriiiim! Trrrriiiim!

-       Gabinete do Ministro, bom dia.

-       Alô, por favor, eu gostaria de falar com o seu Ministro, por favor.

-       Quem fala?

-       Pode dizer pra ele que é a mãe do Luisinho.

-       Tem horário marcado?

-       Não, mas é questão de urgência nacional.

-       Só um momento.

[momento com musiquinha chata tocando]

-       Alô? (voz de ministro)

-       Alô, seu ministro?

-       Isso, é ele mesmo. Quem fala?

-       Aqui é a mãe do Luisinho.

-      Hum. No que posso ajudar?

-       Bom, vou direto ao assunto. É o seguinte: o senhor tem peitos?

-       Como?

-       Peitos. Seios lactantes. Não tem, né? Deve ser porque o senhor não é mulher.

-       Olha…

-       Tudo bem, ministro. Eu compreendo. O senhor não tem peitos cheios de leite, então acho que não está sabendo como a coisa funciona.

-       Olha, acho que houve uma confusão. É melhor você falar com…

-       O melhor é falar direto com o senhor mesmo. Pra resolver de uma vez esse problema. É o seguinte: acabei de ver uma frase aqui que o senhor mandou colocar na mamadeira do meu filho, mas eu é que quero te advertir de uma coisa.

-       Sim…

-       Seu ministro, como o senhor não está sabendo beeem como a coisa funciona, vou te contar. É assim: os pequeninos querem mamar o tempo todo, ou no máximo de 3 em 3 horas. A gente fica acabada, mas amamenta feliz, porque amamentar é mesmo uma coisa legal e a gente ama aqueles pacotinhos demais da conta. O peito dói, empedra, o bico racha, sangra, vaza leite, uma porcaria, mas a gente se abre de felicidade quando vê os fofinhos de barriga cheia.

-       Certo…

-       Só que aí vem vocês e dizem que o aleitamento tem que ser exclusivamente no peito até os 6 meses do bebê, certo?

-       É…

-       Concordo. Mas se só pode peito e não pode mamadeira, o problema é que aí a gente não fica só acabada. A gente fica louca. LOUCA. Ouviu bem? A mãe tem que ficar lá 6 meses grudada no bebê, sem poder ir nem à padaria sem poder levar o filhote, e em muitos casos – e no MEU caso -, sem poder dormir, porquê o pequeno quer mamar de noite, quer mamar de madrugada, quer mamar de madrugada mais uma vez. E aí vem você e me diz que não pode nem uma mamadeirinha pro pai dar no turno da madruga? Ou de repente uma outra de levinho alí pelo 2o mês pra mamãe poder dar uma idinha ao cinema? Não tô pedindo muito, tô? TÔ??? PELAMORDEDEUS, NÉ SEU MINISTRO? Depois a maioria das mulher ainda tem que voltar a trabalhar logo 3 ou 4 meses depois do filho nascer.  E aí faz o quê pra continuar amamentando o dia inteiro? Deixa os peitos em casa e vai pra rua? Querem que eu fique louca? LOUCA?

-       Olha, entendo, mas fale aqui com a…

-       Não, é com o senhor mesmo. Mas eu vou ser bem legal e vou te dar além do problema, a solução: sabe aquela grana que o senhor ta gastando com essa mensagem aí no rótulo da mamadeira?

-       Não, nós não gast…

-       Então. Pega ela e investe numa pesquisa pra fazer os peitos dos homens produzirem leite também. Eu digo, dos pais, né. Faz isso. Resolve o problema.

-       Desculpe, mas não dá pra…

-       Não dá? Não dá? O que não dá é pra ficar seguindo o que vocês falam. Olha, o problema está aí e a solução também.

-       Isso é um absurd…

-       Desculpa, seu ministro. Agora não dá mais pra gente conversar, vou ter que amamentar.

Tu… tu… tu.

*Conversa fictícia. Mas o numero de telefone lá em cima é verdadeiro. E aí, alguém vai ligar?