28 de março de 2012

O Diário de uma Mãe Sincera foi indicado ao Prêmio Abril de Jornalismo!

Estou que não me aguento de emoção! Eu, que nunca ganhei rifa nem raspadinha de loteria, fui agora indicada para um prêmio! Foi pela matéria Diário de uma Mãe Sincera, publicada na revista Superinteressante de dezembro de 2011. A indicação é na categoria “Saúde”. Concorrem a esse prêmio só matérias publicadas em revistas ou sites da Editora Abril. A concorrência é restrita, porém de peso, já que as outras 3 matérias no páreo são todas ótimas. Mas pra mim a indicação já é uma vitória: significa que mais alguém gostou do meu texto além de mim, de quem leu a revista e de vocês, queridos leitores desse blog. Legal, né?

Para quem ainda não leu, a matéria está na íntegra aqui em pdf ou no site da Super. E em um post desse blog tem uma versão extendida do texto sobre o segundo mês de gravidez.

E então, me diga: acha que agora essa matéria merecia crescer e virar um livro? Ou já é empolgação demais?

14 de dezembro de 2011

Diário de uma mãe sincera – Superinteressante

Sempre gostei de escrever diários. E morria de vergonha disso. Mas desse aqui eu fiquei orgulhosa: o diário de uma mãe sincera, matéria publicada na edição verde da revista Superinteressante, que está nas bancas esse mês. No jornalismo, textos em 1a pessoa são raros. É claro que é uma reportagem cheia de informações médicas e dados de pesquisas recentes. Mas como tem um toque pessoal, foi tão importante pra mim que esperei pela chegada da revista às bancas como se fosse a primeira vez. CHEGOU! NASCEU!

E é assim ó: conto mês a mês as esquisitices da gravidez. Falei sobre a minha experiência e tentei mostrar um lado dessa fase da vida que só as mães conhecem. Afinal, nas páginas das revistas de celebridades, as grávidas parecem sempre sublimes, felizes, lindas. Nos filmes e na TV, parindo em algum lugar inusitado. Mas na vida real, não é exatamente assim que acontece.

Inigualável. Inesquecível. A realização de um sonho. A gravidez é tudo isso. Mas também tem um lado que só as grávidas conhecem – e não é nenhum conto de fadas. Veja o que realmente acontece nos 9 meses mais importantes que existem”.

Para ler a matéria inteira, tem que comprar a revista e ir lá pra a página 66.

Mas deixo aqui como teaser a versão original do texto do segundo mês, antes dos dolorosos porém necessários cortes que ele precisou receber para caber na página.

Segundo mês – Hora da hipocondria

Sou uma pessoa tranquila. Mas andava com um baita mau humor e muito chorona. Quando comecei também a ficar enjoada, o marido insistiu e fiz um teste daqueles que se compra na farmácia. Eles reconhecem por reação química a gonadotrofina coriônica humana (hCG), um hormônio produzido em abundância durante a gravidez que é secretado na urina. Antes desse exame simples ser inventado, nos anos 50, outro teste de gravidez, chamado Galli-Mainini, já era feito com a urina e media o mesmo hormônio. Mas era feito de uma forma estranha: ela era injetada na bexiga de um sapo. Depois, colhia-se a urina do bicho: se viesse com grande quantidade de espermatozóides, que o hCG estimula o animal a produzir, a moça estava grávida.
Sem sapos, no banheiro de casa, meu teste deu positivo. Mas cadê a cena bonita de novela em que o casal se abraça apaixonado e comemora? Eu e meu marido queríamos ter um bebê. Mas quando nos defrontamos com a notícia de que ele já estava lá dentro, foi desesperador. O mais irônico é que, para receber a notícia, a natureza prepara o corpo das mulheres da seguinte forma: caprichando nos níveis de hormônios hCG, progesterona e estrogênio, que além dos clássicos enjôos, podem causar depressão, mal-humor, irritação, muito sono e cansaço. Era exatamente esse o meu estado de espírito. Não era para menos: o organismo da gestante em repouso trabalha mais do que o de uma mulher que não está grávida escalando uma montanha. Nos primeiros 3 meses, todas as forças se voltam para a produção do sistema de apoio ao bebê – como a placenta, por exemplo, um órgão inteiro, parecido com o fígado, que o corpo da mulher fabrica sozinho durante esse tempo. O metabolismo se acelera. O volume de sangue no corpo aumenta 30%. Os batimentos cardíacos da mulher aumentam de 60 para 80 por minuto, em média.
Mas não pense que esse exercício todo me deixou mais forte. Durante a gestação, o sistema imunológico fica mais fraco. É uma forma de garantir que ele não vá reagir e expulsar o feto lá de dentro – afinal, o bebê é um corpo estranho, com identidade genética própria. Como um órgão novo que acaba de ser transplantado. E aí, mais uma ironia: mesmo mais suscetível a doenças, grávidas não devem tomar remédios. Existem poucos estudos sobre quais deles podem de fato causar má formação no feto. Eu, por via das dúvidas, não tomava nem aspirina.
Na consulta médica, mais apreensão: descubro a lista de coisas que eu devo ou não fazer durante as próximas semanas em que eu estava encarregada de produzir uma pessoa. Deveria tomar ácido fólico, uma vitamina do complexo B que ajuda na formação neurológica do bebê, fazer exercícios leves e me alimentar bem – coisa que eu não vinha fazendo. Não podia tomar bebidas alcoólicas, por risco de má formação do feto. Também estava vetado comer qualquer coisa crua, inclusive vegetais, que poderiam ter sido mal lavados, por causa da toxoplasmose, uma das doenças mais perigosas na gestação, que pode causar cegueira no bebê. Foi aí que eu senti pela primeira vez a culpa materna: e aqueles bons drinks que eu havia tomado na semana passada, logo depois de jantar um sushi? O alívio veio depois de fazer uma ultrassonagrafia e ver que estava tudo bem. Era o primeiro de uma maratona de exames que eu faria até o fim da gestação. E foi também quando eu e meu marido ouvimos pela primeira vez o coraçãozinho do bebê batendo – ele tinha o tamanho e o formato de um grão de feijão, mas seu coração batia forte como o bumbo de uma escola de samba, a 119 bpm, o dobro do coração de um adulto. E aí finalmente a ficha caiu. Seriamos pais. Choramos. Apertei a mão do meu marido. Pronto, aí estava o momento bonitinho que eu via nos filmes. Que foi interrompido pela crua realidade: um baita enjôo. Corri para o banheiro.