11 de julho de 2012

Qual grávida da TV você queria ser?

Se tem uma coisa divertida para uma mãe é descobrir que uma amiga querida em breve será mãe também. Por isso fiquei feliz desse tantão quando a Karina Gomes Barbosa me contou que tem um bebê na barriga dela. A Karina é professora da Universidade Católica de Brasília e faz doutorado sobre as representações do amor no cinema e na TV. Então pedi para que ela escrevesse um post aqui para esse blog que tivesse a ver com as duas coisas: gravidez e televisão. E foi assim, bem feliz também, que ela o escreveu.

TV para grávidas em dias felizes
Por Karina Gomes Barbosa

Daí um belo diz você descobre que, aimeudeus, está grávida. Se esse estado interessante que dura umas 40 semanas tivesse estágios, o primeiro seria o pânico. O segundo, certamente, seria o “e agora, como faz?” (não sei quais são os outros porque ainda não cheguei lá).

É nesse estágio que você conta a novidade para as primeiras amigas mães; começa a fuçar a internet atrás de blogs de gravidez – e se depara com os fóruns de grávidas (são muitos; ninguém usa pontuação correta; você se pergunta: “aimeudeus, engravidar causa perda de memória gramatical?”); ouve sua mãe falar de uma experiência que viveu em algum lugar do passado (no caso da minha família, nem tão passado assim, mas os 13 anos do meu irmão ainda estão bem distante); vai à livraria em busca de todos os manuais e volumes do tipo “gravidez for dummies”.

Tudo isso, claro, enquanto tenta agendar uma consulta com algum obstetra (quando comentei com meu médico, ele disse que Brasília está cheia de grávidas; elas se escondem em cavernas escuras* e aparecem apenas nos consultórios e nas clínicas de ultrassom).

O objetivo dessa peregrinação? Encontrar conforto, compreensão e tentar entender o quê você precisa fazer a partir de agora, num longo caminho que inclui sutiãs apertados, fome de cinco leões enjaulados, nenhuma calça cabendo, a ameaça aterrorizante das estrias, a impossibilidade da champanha…

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Como nem todo conselho do mundo acalma um coração ansioso e uma mente cheia de dúvidas, fui direto a meu lugar favorito para aprender quase todas as coisas: a televisão.

Tomei uma decisão rápida depois de revisitar a ilustrativa jurisprudência que a TV oferece: quero ser Lilly Marshall. A grávida bem humorada, ranzinza, cheia de energia e com excelentes punchlines que dominou esta temporada de How I Met Your Mother. Não quero, claro, que o nome do meio d@ bebê seja “waitforit”, mas tirando isso, Lilly me deu ótimos conselhos, especialmente sobre comida e como lidar com o futuro papai – com chantagem, quase sempre.

Assim como Sookie, a gravidinha preferida de Stars Hollow. Ela era um grande exemplo de como a mulher se transforma logo que alguma coisa começa a crescer ali dentro. Cozinheira (ok, chef) de mão cheia da pousada que tinha em sociedade com Lorelai em Gilmore Girls (cai uma lágrima de saudade), Sookie se tornava um tanto mais desastrada quando estava grávida. Uma vez, quase incendiou a cozinha porque colocou o pano de prato numa apropriadíssima boca de fogão ligada. Me identifiquei, apesar de ainda não ter queimado nada – porque não cozinho nada.

Se o assunto é figurino, uma outra grávida pode ajudar bastante. A lição de Sue Sylvester? Na falta de qualquer roupa que sirva, use joggers da Adidas. Tem uma formatura? Joggers. Vermelhos. Final de campeonato? Joggers azuis. Apenas um dia comum? Joggers verdes. Em Glee, os joggers cabem até a hora do parto; nunca apertam, são confortáveis e muito elegantes. Problema de guarda-roupa? Só grávida desatualizada tem.

Como ainda tenho muito tempo de barriga crescendo e espinhas pela frente, desejo, às vezes (muitas vezes?), imitar a dra. Patti Nyholm e usar a cinturinha de jabulani não apenas para evitar filas de mercado e banco. Minha terceira advogada preferida de The Good Wife (ou seria quarta? São tantas) aparece só em alguns episódios, mas quando vem, usa o barrigão para manipular júris, depoimentos, atrasar casos e provocar pena (não merecida) – durante duas gestações. Claro que depois ela ainda leva os bebês para o trabalho só pra tripudiar. Uma legítima pós-feminista que se recusou a escolher entre carreira e maternidade. Exemplo a seguir.

Isso é o que a TV me ensina nos dias bons. Eles são a maioria: nesses dias, morro de vontade de rir do mundo, das pessoas, da vida. Gosto de cada comida que como e tenho certeza que vai dar tudo certo daqui pra frente (não que tenha dado errado antes. Mas é diferente).

Nos dias ruins, aqueles sensíveis, de azia, de medo, de insegurança, ligo em outros canais e choro quando as mamães perdem bebês ou quando um prematuro milagrosamente sobrevive (coisa que não anda acontecendo muito em Grey’s Anatomy, por exemplo). Mas é assunto para outro dia. Um dia não tão feliz quanto hoje.


*Cavernas escuras é uma ilação de minha própria lavra. Meu médico não deu esse exemplo.
Ainda estou no estágio tentando entender como faz, mas a TV não ofereceu, por enquanto, o tutorial mais infalível do mundo. Enquanto isso, assisto a todos os seriados do mundo. E a uns filmes de alien de quando em vez. Sem perder a esperança.

08 de setembro de 2011

Meninas Superpoderosas

Eu sempre quis ter um superpoder. Achei ótimo quando descobri que eu nem precisava ser mutante pra isso.

Camiseta à venda na cafepress e na zazzle. Se eu ficar grávida de novo, a primeira coisa que vou fazer vai ser comprar uma dessas (quer dizer… segunda… a primeira vai ser o teste de gravidez, que é pra ter certeza). Dicas da @3leggeddoggy e da @catinha

28 de abril de 2011

Gravidez de risco

Extra, extra! Esse mês vocês podem me ler também nas bancas de jornal! Escrevi uma matéria sobre gravidez de risco para a revista CLAUDIA Bebê.

São depoimentos de 4 mães (que nas fotos aparecem com seus bebês fofos!) sobre a batalha que é enfrentar uma gestação com uma doença crônica. As moças abriram seus coraçõezinhos para me contar sobre como é ser uma grávida com diabetes, hipertensão, asma e cardiopatia. Me falaram da raiva que dá quando percebem que não se pode ter controle sobre o próprio corpo, sobre a angústia de pensar que você pode estar fazendo mal para o bebezinho dentro da sua barriga, sobre a maratona de cuidados e restrições que precisaram seguir (e a força de vontade que cresce junto com a barriga!) e finalmente, dividiram comigo a alegria enorme que é ter o bebê saudável nos braços depois de enfrentar tudo isso.

São histórias muito bacanas, que muitas vezes me deixaram bem emocionada. Mas contadas por mulheres que não se fazem de vítima – encaram bem as doenças e enfrentam tudo de peito aberto, com naturalidade.

Não foi fácil achar as personagens para a matéria. Foram umas 3 semanas correndo atrás de médicos, hospitais, ONGs, assessores e blogueiras que pudessem me indicar mamães com as 4 doenças que topassem falar sobre suas experiências. Foram tantos telefonemas que quase fiquei doida. Pensava em desistir. Jornalista sofre, sério. Mas não desiste. Tinha horas em que eu sentava aqui no computador com o Luisinho no meu colo e fazia umas 10 ligações enquanto ele mamava, pulava ou tentava comer o fio do telefone (ele adora o fio). No fim, encontrei personagens ótimas.

Por isso agradeço muitão à Luciana, Ivaloo, Cristiane e Michelle, que toparam dar os depoimentos e contribuiram para quebrar o tabu que ainda é falar sobre essas doenças. Obrigada também às pessoas que me ajudaram a encontrá-las. E, claro, aos médicos que toparam explicar todos os tratamentos e cuidados com muita paciência.

Imagine ter que passar os 9 meses na cama, porque até uma simples caminhada até o banheiro pode ser o bastante para descompensar seu coração? Foi o que aconteceu com a Cristiane Komel, que tem uma cardiopatia. Ou ter que furar a ponta do dedo até 6 vezes por dia para medir o nível de glicose no seu sangue? Era o que fazia a Luciana Oncken, autora do blog Viver com Diabetes.

Difícil, né? Mas o que eu achei mais legal descobrir foi que engravidar com algumas dessas doenças também tem suas partes positivas. Dois exemplos geniais: a gravidez pode curar a hipertensão e a amamentação ajuda a controlar a diabetes.

E o mais legal é que essas histórias nos ajudam a perceber que a gente se adapta a tudo nessa vida, que quase tudo tem remédio e que a maior parte dos nossos medos tem solução. Nenhuma gravidez no mundo é só flores – seja ela acompanhada de alguma doença ou totalmente “normal”. Quem passou por uma sabe bem: de vez em quando despenca uma avalanche de grilos, medos, preocupações (que algumas vezes tem fundamentos, muitas outras não). Eu tinha um monte. Mas uma hora a gente aprende: todos eles passam.

E aí o bebê nasce e aparecem outros vários. Mas isso aí já é outra história…

20 de fevereiro de 2011

Magic belly

Já disse isso aqui antes e, mesmo sem me ler, não é novidade pra ninguém: toda mulher grávida uma hora se sente gorda, inchada, esquisita. Mesmo assim, incrivelmente a gente se sente mais linda do que nunca. E não cansa de ouvir elogios das outras pessoas na rua também (depois do parto dá até uma saudadezinha, sabe?). Ah, é: o mais incrível é como os maridos milagrosamente ficam encantados com o nosso corpitcho de balão.

Na minha última semana de gravidez encontrei uma conhecida em um show e ela ficou toda emocionada, com lágrimas nos olhos ao me ver com aquela barriga enorme. Obviamente se lembrou do barrigão dela quando estava grávida também e morreu de saudades. Agora eu sei mais ou menos o que ela sentiu:

[vimeo http://vimeo.com/14235967]

Ah, é: para uma grávida bonita, nada melhor do que um marido fotógrafo. E, de preferência, também amigos músicos. Como os da moça acima, que fizeram essa canção – Magic – especialmente pra ela.

p.s.: beijos para Raoni, fotografador oficial da minha gravidez =)

DaS próximaS  vezeS a gente faz várias assim, hein tio Raoni!

14 de dezembro de 2010

Corpo de mãe

A moça aí tem 2 filhos. MILF?

A maternidade traz muitas mudanças e deixa várias marcas. A maior parte delas são psicológicas e acabam sendo muito, muito boas pra gente. Mas algumas mulheres encaram umas que podem ser bem desagradáveis: estrias, manchas e flacidez, por exemplo. Para mostrar que nem todo mundo volta ao normal e que as fotos das modelos e atrizes das revistas tem muito photoshop, a americana Bonnie Crowder resolveu criar o site Shape of a Mother (dica da querida Elida). Lá tem depoimentos e fotos de mães que se assustaram com seus corpos muito modificados.

É bem verdade que o corpo muda muito durante a gravidez e muita coisa assusta. Então é bem legal ver a mulherada falar sobre isso abertamente. Mas… também pode ser um certo desserviço para quem um dia pretende ser mãe (e para os homens que pretendem engravidar uma mulher e depois continuar ao lado dela). Cuidado com o susto! Não é verdade que todo mundo ganha marcas, que o corpo fica esculhambado.

Quando eu engravidei, quase morri de medo disso. Mas aí esse medo me ajudou a tomar os cuidados necessários: usei muito hidratante, fiz yoga e hidroginástica, me mantive ativa e me alimentei bem. Talvez por isso não tenha ganhado nenhuma estria, mesmo que no final da gravidez meu barrigão parecesse de trigêmeos. E em menos de 2 meses, já tinha emagrecido todos aqueles 15kg que não me pertenciam. E isso sem nenhum esforço, já que o Luisinho, mamando o tempo inteiro, literalmente comeu minhas calorias. É claro que pra barriga ficar tanquinho, só malhando mesmo. Mas aí isso é algo que a maioria das mulheres precisa encarar, mesmo sem nunca ter tido nenhuma cria.

O que me fez acreditar que a Giselle Bündchen na verdade nem deve precisar de tanto Photoshop assim. Ficar detonada depois do parto é bem normal. Mas aos poucos, tudo vai voltando para os devidos lugares. Então uma mulher que já era magra antes, que se cuidou bem, engordou pouco durante a gravidez e ainda por cima teve parto normal consegue sim fazer fotos de lingerie 3 meses depois. Por isso, meninas, não tenham medo de parir! Vamos povoar o mundo e virar MILFs!