Se tem uma coisa divertida para uma mãe é descobrir que uma amiga querida em breve será mãe também. Por isso fiquei feliz desse tantão quando a Karina Gomes Barbosa me contou que tem um bebê na barriga dela. A Karina é professora da Universidade Católica de Brasília e faz doutorado sobre as representações do amor no cinema e na TV. Então pedi para que ela escrevesse um post aqui para esse blog que tivesse a ver com as duas coisas: gravidez e televisão. E foi assim, bem feliz também, que ela o escreveu.
TV para grávidas em dias felizes
Por Karina Gomes Barbosa
Daí um belo diz você descobre que, aimeudeus, está grávida. Se esse estado interessante que dura umas 40 semanas tivesse estágios, o primeiro seria o pânico. O segundo, certamente, seria o “e agora, como faz?” (não sei quais são os outros porque ainda não cheguei lá).
É nesse estágio que você conta a novidade para as primeiras amigas mães; começa a fuçar a internet atrás de blogs de gravidez – e se depara com os fóruns de grávidas (são muitos; ninguém usa pontuação correta; você se pergunta: “aimeudeus, engravidar causa perda de memória gramatical?”); ouve sua mãe falar de uma experiência que viveu em algum lugar do passado (no caso da minha família, nem tão passado assim, mas os 13 anos do meu irmão ainda estão bem distante); vai à livraria em busca de todos os manuais e volumes do tipo “gravidez for dummies”.
Tudo isso, claro, enquanto tenta agendar uma consulta com algum obstetra (quando comentei com meu médico, ele disse que Brasília está cheia de grávidas; elas se escondem em cavernas escuras* e aparecem apenas nos consultórios e nas clínicas de ultrassom).
O objetivo dessa peregrinação? Encontrar conforto, compreensão e tentar entender o quê você precisa fazer a partir de agora, num longo caminho que inclui sutiãs apertados, fome de cinco leões enjaulados, nenhuma calça cabendo, a ameaça aterrorizante das estrias, a impossibilidade da champanha…
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Como nem todo conselho do mundo acalma um coração ansioso e uma mente cheia de dúvidas, fui direto a meu lugar favorito para aprender quase todas as coisas: a televisão.
Tomei uma decisão rápida depois de revisitar a ilustrativa jurisprudência que a TV oferece: quero ser Lilly Marshall. A grávida bem humorada, ranzinza, cheia de energia e com excelentes punchlines que dominou esta temporada de How I Met Your Mother. Não quero, claro, que o nome do meio d@ bebê seja “waitforit”, mas tirando isso, Lilly me deu ótimos conselhos, especialmente sobre comida e como lidar com o futuro papai – com chantagem, quase sempre.
Assim como Sookie, a gravidinha preferida de Stars Hollow. Ela era um grande exemplo de como a mulher se transforma logo que alguma coisa começa a crescer ali dentro. Cozinheira (ok, chef) de mão cheia da pousada que tinha em sociedade com Lorelai em Gilmore Girls (cai uma lágrima de saudade), Sookie se tornava um tanto mais desastrada quando estava grávida. Uma vez, quase incendiou a cozinha porque colocou o pano de prato numa apropriadíssima boca de fogão ligada. Me identifiquei, apesar de ainda não ter queimado nada – porque não cozinho nada.
Se o assunto é figurino, uma outra grávida pode ajudar bastante. A lição de Sue Sylvester? Na falta de qualquer roupa que sirva, use joggers da Adidas. Tem uma formatura? Joggers. Vermelhos. Final de campeonato? Joggers azuis. Apenas um dia comum? Joggers verdes. Em Glee, os joggers cabem até a hora do parto; nunca apertam, são confortáveis e muito elegantes. Problema de guarda-roupa? Só grávida desatualizada tem.
Como ainda tenho muito tempo de barriga crescendo e espinhas pela frente, desejo, às vezes (muitas vezes?), imitar a dra. Patti Nyholm e usar a cinturinha de jabulani não apenas para evitar filas de mercado e banco. Minha terceira advogada preferida de The Good Wife (ou seria quarta? São tantas) aparece só em alguns episódios, mas quando vem, usa o barrigão para manipular júris, depoimentos, atrasar casos e provocar pena (não merecida) – durante duas gestações. Claro que depois ela ainda leva os bebês para o trabalho só pra tripudiar. Uma legítima pós-feminista que se recusou a escolher entre carreira e maternidade. Exemplo a seguir.
Isso é o que a TV me ensina nos dias bons. Eles são a maioria: nesses dias, morro de vontade de rir do mundo, das pessoas, da vida. Gosto de cada comida que como e tenho certeza que vai dar tudo certo daqui pra frente (não que tenha dado errado antes. Mas é diferente).
Nos dias ruins, aqueles sensíveis, de azia, de medo, de insegurança, ligo em outros canais e choro quando as mamães perdem bebês ou quando um prematuro milagrosamente sobrevive (coisa que não anda acontecendo muito em Grey’s Anatomy, por exemplo). Mas é assunto para outro dia. Um dia não tão feliz quanto hoje.
*Cavernas escuras é uma ilação de minha própria lavra. Meu médico não deu esse exemplo.
Ainda estou no estágio tentando entender como faz, mas a TV não ofereceu, por enquanto, o tutorial mais infalível do mundo. Enquanto isso, assisto a todos os seriados do mundo. E a uns filmes de alien de quando em vez. Sem perder a esperança.






