22 de junho de 2012

Porque vivemos na melhor época de todos os tempos para ter filhos

Hoje tem texto meu no portal Minha mãe Que Disse!

Leia lá, leia aqui e… comente! Quero saber a opinião de vocês sobre esse assunto!

Aqui vai:

Podem me chamar de otimista, de comercial da coca-cola, de copo metade cheio. Mas acredito ralmente que vivemos na melhor época de todos os tempos para formar uma família. Já fui mais saudosista, já pensei o contrario. Mas hoje acredito que a humanidade nunca foi tão evoluída, bem informada e interessante. Temos tecnologias e avanços científicos que nos permitem combater doenças, trabalhar de qualquer lugar, estimular a aprendizagem dos nossos filhos e ajudar mulheres que não conseguem engravidar. Coisas que só vão evoluindo com o tempo. É claro que nem tudo é perfeito. E claro também que a nostalgia dos tempos da nossa infância pode ser gostosa de vez em quando. Mas é bom ter em mente que às vezes lembramos dela muito mais doce e florida do que realmente foi (ah… nada como a passagem do tempo e a distância!). Por isso afirmo novamente: o mundo nunca foi tão bom para criarmos nossos filhos. Leia a seguir alguns dos motivos:

Temos um prazo maior para virarmos mães. Eu escolhi ser mãe cedo (engravidei aos 25 anos), mas sou uma entusiasta dos avanços da medicina na reprodução assistida. Acho lindo que uma mulher depois dos 45 anos possa levar uma gravidez tão saudável quanto a que eu levei. E que ninguém precise desistir do sonho de ter um filho na barriga “porque a natureza não deixou”. Bendita hora em que a natureza criou cientistias e médicos que aprenderam a dar um jeitinho e colocar um bebê artificialmente na barriga de mulheres que nasceram para ser mães. É verdade que a adoção também é importante, também sou totalmente a favor, é outra forma linda de virar mãe. Mas são coisas diferentes, cada uma tem seu próprio sentido. Por isso a cada nova pesquisa e a cada novo avanço nessa área, vou sempre comemorar.

Os brinquedos são cada vez mais legais. Basta navegar pela internet ou entrar em qualquer loja de brinquedos para encontrar jogos (sejam de tabuleiro ou eletronicos) inteligentíssimos, bem feitos, criativos. E não me venha com um “ah, no meu tempo eram beeem melhores”, que vou te contar uma coisa: a maior parte dos brinquedos que você curtia na sua infância continuam existindo, do mesmo jeitinho. Boa parte está lá na loja também. O que aconteceu foi que outros diferentes também surgiram e agora nossos filhos tem a opção de brincar com os da geração dele, com os da nossa e até com os que eram do vovô. Acho lindo que as crianças tenham a possibilidade de escolher um dia jogar futebol com os amigos a tarde inteira e no outro se divertir enfrentando desafios no videogame mais high-tech do momento. É claro que fazer só uma coisa ou só outra é ruim. Mas ter opções para todos os gostos é lindo. O tempo nos deu possibilidades de escolha.

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A imensa variedade de programas infantis. Ok, tem muita porcaria no meio dessa variedade, mas também tem vários geniais. De personagens divertidos e com ótimas trilhas sonoras para os pequenos (como o Cocoricó) aos desenhos animados inteligentes para os maiorzinhos (como Bob Esponja e tantos outros, que muitos adultos adoram assistir junto, tipo eu). Santa TV a cabo! E além de tudo isso, vale a mesma lógica dos brinquedos: aqueles que você assistia na sua infância também continuam existindo, e muitos ainda passam inclusive na TV aberta. Ok, mas aqueeeele que você adora e queria que o seu filho assistisse não passa mais? Sem problemas: está tudo no Youtube. Quer que seu filho assista à primeira versão do Sitio do Pica-pau amarelo? Eu estou doida pra mostrar pro meu filho o Plunct Plact Zuuum, que era um dos meus preferidos. Se ele vai gostar de assistir, eu não sei. Mas eu vou adorar rever… =)

A mortalidade infantil é a menor de todos os tempos. Esse ano, o Brasil bateu um record: segundo o IBGE, caiu 47% em 10 anos. No Nordeste, a queda superou 50%. Baita conquista a se comemorar. Uma das coisas que isso significa é que hoje as crianças morrem menos por coisas bobas como desinteria. E também morrem menos por outras mais graves, como pneumonia. Avançamos na prevenção, na vacinação, e também no tratamento de várias doenças.

Temos mais informações, somos mais saudáveis. Hoje já sabemos da importância da amamentação e da qualidade indiscutível do leite materno, sabemos que fazer algumas coisas como fumar perto de uma criança ou dar açúcar a um bebê recém-nascido não são boa ideia (sua avó provavelmente deu pra sua mãe cházinho com açúcar), que corante e sódio em excesso fazem mal e que os remédios caseiros ou “naturais” também podem ser perigosos. É claro que a lista do que faz mal e o que faz bem vive mudando, mas acredito que vá ficando cada vez melhor.

Somos menos preconceituosos. Podemos nos divorciar quando estamos infelizes no casamento sem muito medo dos julgamentos da sociedade (e ter a chance de ser feliz denovo!); a maioria dos pais não acha o fim do mundo quando descobre que o filho é gay; e já sabemos reconhecer o que é o bullying. As famílias interraciais também estão ficando cada vez mais comuns, seja nas páginas da revista de fofoca com o clã Jolie-Pitt ou na pracinha mais próxima de você.

Os filhos são responsabilidade dos pais também. Eu não consigo nem imaginar como seria ter um bebê sem meu marido para dividir os cuidados dele comigo. Ainda bem que evoluímos muito nesse ponto e hoje boa parte dos homens não pensam mais que cuidar de criança é coisa de mulher. Minha mãe conta que meu pai nunca trocou uma fralda. Meu marido já trocou tantas quanto eu. Mas não é uma questão de dividir tudo matematicamente: sabemos que somos pessoas diferentes e cada um é melhor em uma coisa. Mas os dois se esforçam para tomar conta de tudo e não sobrecarregar o outro – e criar o filho junto, não só nas partes mais fáceis ou divertidas. Então não é uma questão de “ajudar”, mas de encarar tudo como sendo responsabilidade dele também – da escolha do nome à alimentação.

A tecnologia nos proporciona mais tempo com nossos filhos. Essa também é bem uma questão de ver o copo metade cheio ou metade vazio. É claro que tem pais que passam mais tempo entretidos no iPad do que brincando com os filhos, mas em vários casos a tecnologia pode nos ajudar muito a economizar tempo com trabalho e com burocracias que te afastariam das crianças – como ter que ir aos Correios toda vez que quisesse mandar um documento pra alguém ou perder tempo fazendo sua declaração de imposto de renda no papel. Gosto de lembrar sempre também que a tecnologia não mata necessáriamente o que era analógico: um passeio aos Correios com a criançada pode continuar sendo um programa divertido, é só você inventar um motivo para mandar uma carta. O ruim era ter que depender disso no dia-a-dia. Eu me lembro dos meus pais sempre trabalhando muito quando eu era criança, longe de mim a maior parte do tempo. Hoje, eu trabalho em casa. Graças ao meu computador e à querida internet (muaaah!), trabalho em homeoffice, pertinho do meu filho, posso almoçar com ele e fazer pausas entre uma tarefa e outra para dar um aperto no pequeno. Como também sou minha própria chefe, nos dias em que estou mais tranqüila, encerro o expediente mais cedo e vou passear com ele. E não sou só eu: cada vez mais mães e pais estão escolhendo trabalhar assim. E a melhor parte é que, na maioria das vezes, ganhamos um salário tão bom quanto o do cara do escritório.

Gisela é a mãe do Luisinho, jornalista e autora do Mãe Geek, um blog sobre maternidade, tecnologia, trivialidades, polêmicas… e sobre o Luisinho, claro!

20 de abril de 2012

Roupinha muda de cor quando o bebê está com febre

Febre. Sempre ela. Já contei nos últimos 2 posts sobre o susto que passei com Luisinho doente, indo parar no hospital depois de uns tantos dias com tosse. E aí qual foi o sintoma que nos fez correr lá no pronto-socorro? Febre alta. O

Toda mãe de bebê sempre fica de olho na temperatura do pequeno. Ela é o melhor indicador de que algo não vai bem. Principalmente quando aquele homo sapiens mirim ainda não sabe falar pra dizer onde tá o dodói. Mas medir a temperatura do Luisinho sempre foi um desafio pra mim. Ele quer brincar com o termômetro, quer arrancar, quer qualquer coisa, menos ficar parado com ele debaixo do braço. E nem me diga que há outros 2 lugares possíveis para tirar a medida, que eles são piores ainda.

Por isso achei genial essa ideia de uma empresa espanhola de criar uma roupinha de bebê que avisa quando ele está com febre. É um tecido equipado com pigmentos termocrômicos. Ou seja: uma tinta que muda de cor se o corpo que está em contato com ela passar de uma temperatura determinada (que deve ser o equivalente a 37 graus Celsius). E se você pensou que uma tecnologia legal assim viria em uma roupinha ultra-moderna-espacial com um tecido neon e obviamente desconfotável, eis aqui outra boa notícia: o tecido é 100% algodão.

Dei um Google aqui e vi que em 2009 um inglês já tinha inventado uma parecida. Me disseram hoje também que roupinhas com essa mesma tecnolgia já existem no Brasil. Só nunca vi pra vender em lugar nenhum e nem faço ideia do preço. Alguém aí já viu? Manda uma pra mim? Obrigada!

As roupinhas espalnholas são da Rapife Baby.

Valeu pela dica, Maly! =)

22 de agosto de 2011

Nossos filhos e os perigos da tecnologia

Quer saber o que eu acho sobre toda essa discussão sobre tecnologia e bebês, tecnologia e crianças, os perigos da internet e da vida conectada e blá blá? Frescura. Uma baita frescura.

Quando eu nasci, em 1984, meu pai já tinha um computador. Era um MSX, bonitão que nem esse aí da foto ao lado, que ficava no quarto mais divertido da minha casa.  Eu não sabia escrever ainda, mas já me divertia com o computador, seja fingindo que escrevia alguma coisa ou jogando um dos joguinhos que meu pai colocava lá pra mim (setinha pra cima, setinha pra baixo, espaço!). Hoje, o celular aí no seu bolso tem uma memória bem melhor do que ele tinha – 64KB de RAM, uhu! -, e muito mais funções. Então é óbvio que aquele computador não fazia muita coisa e não era nem de longe tão necessário pra gente como os nossos são hoje. Mas pra mim, criancinha, ele ainda era um dos objetos mais legais da  casa, que fazia parte da minha vida, das minhas brincadeiras e dos meus sonhos. O que eu poderia fazer com ele quando crescesse? Construir um robô? Falar com os extraterrestres? Ou quem sabe conversar em tempo real com alguém do outro lado do mundo…

Além do computador, povoaram a minha infância videogames (quantas aulas não matei pra tentar zerar o Sonic… epa, Luisinho, não siga meu exemplo!), televisões, proto-celulares e afins. Lá em casa, recebíamos todas as novidades tecnológicas com muita empolgação – e muito esforço pra tentar comprar as que eram muito caras. Aos poucos, fomos aprendendo a conviver com essas maquininhas fantásticas. E descobrimos na prática os limites que cada uma delas merece. Quando alguém demorava pra sair de casa porquê não conseguia desgrudar do computador, por exemplo, meu pai falava “VAI FALTAR LUZ!” e puxava o fio da tomada. Pronto, desconectou.

Quando eu tinha uns 11 anos, a internet chegou pra gente. Novamente, empolgação, mas não alarde. Quer dizer… só quando a conta do provedor chegava, extrapolando aquelas 9 horas mensais contratadas. Ops!

E aí, alguns anos depois, estou eu aqui blogando sobre meu filho (e pagando uma bagatela pelas horas que eu quiser!) e vem alguém me dizer que a internet é perigosa. Você já deve ter visto: vez por outra tem revista, jornal, site e até blog levantando uma bola sobre o assunto. Tudo bem, discutir é legal. E é claro que com um computador conectado com outros do mundo inteiro, tudo parece um pouco mais arriscado.

O nome do blog é Mãe Geek, mas eu nunca tinha falado sobre esse assunto aqui, porque, sinceramente, acho meio desnecessário. Talvez você já não tenha parado para filosofar a respeito (ou já esteja até cansado do assunto), mas nada disso é novidade. Me dá umas coceiras toda vez que ouço falar em “novas midias”. Novas pra quem? Em que tribo você estava morando nos últimos 10 anos, ô cara pálida? Pra mim, já deu tempo de aprender quais são os principais perigos da vida online e como fugir deles.

Já sabemos que uma foto de um bebê na banheirinha pode ter um significado esquisito pra algumas pessoas doentias. Então é só escolher o que deve ser publicado. E não é difícil achar a medida correta? É, concordo. Mas a gente vai acertando aos poucos, assim como vamos acertando todo o resto da vida. Como quase tudo que de repente fazer parte da nossa rotina. Há pouco tempo, eu não sabia fazer papinha de bebê, por exemplo. Às vezes a gente se dá um pouco mal, vê que errou a medida, que fez caca, daí volta lá, dá um ctrl+z, tenta novamente e uma hora acerta a medida.

Concordo também com o senso comum de que os pais tem que ficar sempre de olho nos filhos, mas isso é meio óbvio. Não dá pra deixar uma criança navegar livre leve e solta na internet, assim como também é perigoso deixá-la atravessar a rua sozinha até uma certa idade. E cabe a todo pai e toda mãe decidir o que acha melhor pro filho e o que deve ou não permitir. Afinal, aceitar balinha de estranhos pode? Entrar em chat de adultos também não.  É uma questão de bom senso. E os absurdos que a gente vê por aí só provam que existe gente sem noção no mundo, com ou sem um mouse na mão.

O que não concordo é com a importância que algumas pessoas dão aos “PERIGOS” dessas maravilhas da vida moderna que são os eletrônicos. E com as milhares de discussões abobadas em torno deles. Afinal, eles são tão lindos, adoráveis, agradáveis, amáveis, facilitam nossa vida, ensinam e divertem, que quem abre a boca pra falar mal deles sem um bom motivo merecia passar um ano vivendo no Rajastão a pão e água e com um celular pré-pago sem crédito.

Mesma pena que eu gostaria de aplicar a quem ouço dizer que a internet é perigosa (e respirar dá câncer, viu), que videogame deixa a criança violenta (já jogou futebol?), que criança que assiste muita TV fica burra (passei minha infância na frente de uma e o meu cérebro não derreteu).

Enfim, os pontos positivos de toda a tecnologia que nos cerca são tão infinitamente mais importantes do que os negativos, que, na verdade, acho que nem deveríamos estar tendo essa conversa. Minhas aventuras como mãe de primeira viagem seriam infinitamente mais difíceis se eu não tivesse a internet cheia de informações a meu dispor. E muito mais solitárias se eu não tivesse esse blog com vocês me acompanhando e todos os outros que eu acompanho todos os dias. E, de quebra, ainda fico aliviada em saber que meu filho vai ver muito mais inovações tecnológicas do que eu vi e que elas ainda vão facilitar muito a vidinha dele. Imagine só o tanto de coisas inúteis que eu tive que decorar na escola (e já esqueci) que ele vai poder simplesmente procurar no Google. Assim, vai sobrar muito mais tempo pra jogar videogame com a mamãe.

É claro que essa discussão ainda vai longe. Afinal, ela vem de longe. Nunca perguntei, mas certamente alguém dizia pro meu pai que aquele negócio de deixar eu e meu irmão brincarmos com um MSX não era uma boa. Bem antes disso, imagino que, em algum momento da história, alguém repreendeu uma mãe que deixou o filho brincar com uma roda. Afinal, aquele novo invento parecia perigoso demais. Imagine levar uma rodada na cabeça, né? Podia até matar.